Programa do governo prevê capacitação da
comunidade escolar para lidar com situações de emergência. Reformas e
hidrantes ficam para depois
Publicado em 05/06/2012 | Jônatas Dias Lima, com agência - Gazeta do Povo
Professores
e funcionários de todas as escolas estaduais do Paraná passarão por
treinamento para formar brigadas de incêndio nas instituições da rede. O
Programa Brigada Escolar – Defesa Civil na Escola, lançado ontem em
Curitiba, capacitará a comunidade escolar para agir de modo seguro em
situações de emergência e pânico. Apesar de o governo estadual anunciar
investimento de R$ 15 milhões na ação, a compra de novos equipamentos,
como hidrantes, e as reformas necessárias nos prédios escolares não
estão previstas para o primeiro ano de funcionamento do programa.
Em
abril, uma reportagem da Gazeta do Povo mostrou, com base em
estimativas feitas pelo Corpo de Bombeiros, que mais da metade das
escolas estaduais não possui estrutura obrigatória de segurança contra
incêndios, o que coloca em risco a vida dos alunos, professores e
funcionários. Uma das razões para a defasagem seria a idade dos
edifícios, já que 60% deles foram construídos há mais de 30 anos e ainda
não passaram pelas adequações necessárias para reduzir riscos de
incêndio e danos causados por desgastes naturais.
Durante a cerimônia de lançamento, ocorrida na Escola Estadual
Professora Luiza Ross, no Boqueirão, o governador em exercício e
secretário estadual da Educação, Flávio Arns, disse que a implantação do
programa deve começar com treinamentos de evacuação segura, cursos de
primeiros-socorros e orientações para o uso correto de extintores, luzes
de emergência e sinalização de saída.
Sobre os problemas estruturais, Arns não anunciou prazos para a
execução das reformas, mas informou que estudos serão feitos no decorrer
do programa. “Esse levantamento será feito em conjunto com a Defesa
Civil e o Corpo de Bombeiros. Vamos identificar eventuais alterações que
precisem ser feitas.”
Segundo o coordenador do curso técnico em Segurança do Trabalho do
Tecpuc (instituição de ensino técnico ligada à PUCPR), Ademir José
Ludovico, o primeiro passo a ser dado para tornar um ambiente seguro é
educar e formar as pessoas que frequentam aquele local. No entanto, isso
não é suficiente sem medidas de sinalização e adequação estrutural.
“Quando você usa a palavra ‘brigada’, você já quer dizer que vai dar
equipamento com treinamento”, aponta Ludovico.
Exigências
O novo Código de Segurança contra Incêndio e Pânico do Corpo de
Bombeiros do Paraná, em vigor desde o início do ano, determina que todos
os estabelecimentos abertos ao público, como escolas e shoppings, devam
ter saída e iluminação de emergência, extintores e hidrantes. Locais
que abrigam mais de 100 pessoas precisam ainda de uma brigada de
incêndio.
Após as adequações, a Secretaria de Estado da Educação e a Defesa
Civil Estadual classificarão os estabelecimentos e concederão o selo
Escola Segura. O selo será dividido em três categorias: amarelo (para as
unidades escolares que cumprirem de 20% a 40% das recomendações);
laranja (para as que cumprirem de 40% a 70%) e verde (para as que
superarem 70%). Também participam do programa o Corpo de Bombeiros e o
Batalhão da Patrulha Escolar.
Em entrevista à Agência Estadual de Notícias, o secretário da
Educação em exercício, Jorge Wekerlin, disse que serão capacitados
inicialmente 64 técnicos dos Núcleos Regionais de Educação, 30 bombeiros
e 64 representantes da Patrulha Escolar, que atuarão como
multiplicadores das ações da Defesa Civil e animadores das brigadas
escolares.
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