Inesc lança publicação "Quanto custa universalizar o direito à educação?"
04-Mai-2012
Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Na quarta-feira, 25/04, o Inesc lançou o livro Quanto custa universalizar o direito à educação?. “É um livro de qualidade sobre a qualidade da educação”, afirmou o professor dr. Alípio Casali, um dos escritores da obra, que foi construída coletivamente por profissionais da educação e ativistas da área.

A publicação tem o objetivo é dialogar com o Plano Nacional de Educação (PNE) em diversos temas tais como: qualidade da educação, educação e direitos humanos, financiamento da educação, gestão, educação infantil, alfabetização, educação de jovens e adultos, dentre outros. “O objetivo da publicação é reafirmar que a sociedade civil defende um PNE que garanta a qualidade da educação em todas as suas etapas, até mesmo com financiamento adequado, que para nós significa 10% PIB”, afirma Cleomar Manhas, assessora política do Inesc, doutora em educação, que foi responsável pela organização do livro.

Em sua explanação, Alípio explicou que todo o conteúdo do livro tem uma abordagem que está relacionada com a qualidade da educação. “A qualidade está associada ao direito e esse é um direito para ser exercido universalmente. Não podemos ter uma qualidade que não possa ser estendida para todos. E realizar a educação quantitativamente implica um custo”, disse o professor.

O custo do financiamento da educação é apresentado no livro por Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, e Luiz Araújo, doutorando em Educação pela USP e especialista em financiamento da Educação. Pelos cálculos apontados pelos dois especialistas, além dos 5% do PIB já investidos em educação, são necessários mais 5,74%.

“O PNE só será capaz de colaborar com a universalização da educação de qualidade no Brasil se o plano previr um volume adequado de recursos. Caso contrário, daqui a dez anos, o cenário da educação brasileira será pouco diferente do que já é verificado hoje, ou seja, o direito à educação não será efetivamente consagrado, conforme parâmetros constitucionais”, afirmam Daniel e Luiz em artigo publicado no livro.

Diversidade de assuntos tratados pela publicação

Paulo César Carbonari, doutor em filosofia pela Unisinos e conselheiro nacional do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), escreveu sobre a importância da educação ser “orientada pela diretriz da promoção dos direitos humanos”. Marisa Vasconcelos Ferreira, doutora em educação pela PUC-SP, trata da falta de qualidade na educação infantil brasileira.

Outro tema abordado no livro é “O novo PNE, a Amazônia e o desafio da educação como direito humano”. Este artigo foi escrito por Alberto Damasceno, doutor em educação pela PUC-SP e coordenador do grupo de estudos em educação e direitos humanos da Universidade do Pará; e por Émina Santos, doutora em ciências socioambientais pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea), da Universidade Federal do Pará.

O comitê Diretivo do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib)* aborda o direito da criança à educação infantil pública e defende a necessidade de uma atenção especial “a educação da criança de 0 a 3 anos de idade”. Cristina Almeida Magela Costa, especialista em educação e diretora da Escola Classe 312 Norte, escreveu o artigo “O que significa educação de qualidade no cotidiano escolar?”.

Márcia Acioli, mestre em educação pela UnB e assessora política do Inesc, e Isabel Amorim, integrante do projeto Onda: adolescentes em movimentos pelos direitos, trataram sobre a necessidade de se tornar a educação escolar uma experiência pautada pela alegria e encantamento. Maria Margarida Machado, doutora em educação: historia, política, sociedade pela PUC-SP, fala sobre a “educação de jovens e adultos e os desafios no PNE”.

Pedro Pontual, doutor em educação pela PUC-SP e diretor de participação social da Secretaria Nacional de Participação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, revisita parte do legado de Paulo Freire e da educação popular. Virgílio Leite Uchôa, secretário executivo do Movimento de Educação de Base (MEB), apresenta o método “Ver, Julgar, Agir e Rever”, que visa educar pessoas excluídas e não alfabetizadas.

*Comitê formado por: Mariéte Félix Rosa, doutoranda em Educação pela Feusp; Vilmar Klemar, especialista em história do Brasil e mestrando em educação; Marlene Oliveira dos Santos, mestre em educação pela Universidade Federal da Bahia; Maria Luzinet Moreira, pedagoga pela PUC-Rio; Maria Luiza Rodrigues Flores, doutora em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Veja versão PDF do livro
Fonte: INESC
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