Estudantes mineiros recebem o Prêmio Jovem Cientista
07-Dez-2011
O TEMPO - MG

UFMG também foi premiada por ter o maior número de projetos inscritos

 

Brasília. Dois estudantes de instituições de ensino de Minas Gerais receberam, ontem, das mãos da presidente da República, Dilma Rousseff, o Prêmio Jovem Cientista, oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Universidade Federal de Minas Gerais também foi contemplada com inédita distinção por mérito institucional.

Kaiodê Leonardo Biague, aluno do segundo período do curso de arquitetura do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, ficou em primeiro lugar na categoria Estudante do Ensino Superior. Ele apresentou o projeto "Miniusinas Solares Fotovoltaicas em Sistemas de Transporte Rápido por Ônibus - BRT" (Bus Rapid Transit, no original em inglês).

O mineiro propõe que as áreas de cobertura desse meio de transporte - os telhados das estações de transferência, dos terminais de integração e das garagens - recebam placas capazes de captar a luminosidade do sol para transformá-la em luz elétrica.

Já a doutoranda da UFMG Uende Aparecida Figueiredo venceu a categoria Graduado com o estudo "Intervenções de Saneamento Básico em Áreas de Vilas e Favelas: um Estudo Comparativo de Duas Experiências na Região Metropolitana de Belo Horizonte". Ela comparou a situação da Vila Nossa Senhora de Fátima, na capital, com a das Vilas Ipê Amarelo e Nova Esperança, em Contagem.

Por meio de entrevistas, observação de campo e análise de documentos, Uende concluiu que há grande desigualdade no acesso aos sistemas de distribuição de água e luz e de tratamento do esgoto.

A UFMG foi agraciada com a distinção honrosa porque, dentre todas as universidades concorrentes, foi a que inscreveu o maior número de trabalhos de valor científico. A excelência na área de patentes e a ampliação dos programas de extensão também contribuíram para o destaque da instituição.

Todos os trabalhos inscritos tiveram como tema "Cidades Sustentáveis". As pesquisas abordaram questões ligadas a problemas das metrópoles - como planejamento urbano, mudanças climáticas, gestão de resíduos sólidos e mobilidade, além de agricultura urbana e geração de energia.

"Estamos aqui saudando a criatividade, o esforço, a dedicação e o estudo, que são essenciais para que o estudante brasileiro possa valorizar algo que é importantíssimo para o desenvolvimento dele e do país: a pesquisa e a capacidade de inovar", afirmou Dilma Rousseff, para quem o Prêmio Jovem Cientista "é um estímulo na medida em que realça e coloca claramente que existem talentos, que devem ser reconhecidos".

A petista disse ainda que "a dedicação à ciência é algo que o Brasil deste século recompensará".

Esta vigésima quinta edição do Prêmio Jovem Cientista bateu recorde de inscrições, com mais de 2.000 trabalhos - um incremento de 7% em relação ao total de 2010. Além das bolsas de pesquisas concedidas pelo CNPq, os vencedores também foram contemplados com prêmios em dinheiro. Kaiodê ficou com R$ 15 mil e Uende, com R$ 30 mil. O prêmio para a UFMG foi de R$ 35 mil.

Anúncio. Dilma Rousseff aproveitou a premiação para anunciar o Programa Ciência sem Fronteira, que ainda será lançado oficialmente. Segundo ela, o governo brasileiro pretende oferecer 75 mil bolsas, até 2014, para alunos brasileiros interessados em estudar no exterior. Outras 25 mil vagas serão disponibilizadas por instituições privadas. "Vamos mandar a juventude para fora e trazer de volta cientistas, prêmios nobeis", disse.

PRODUTIVIDADE

A que mais registra patentes

Brasília. O reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Clélio Campolina, também esteve em Brasília para receber a distinção honrosa por mérito institucional do Prêmio Jovens Cientistas. Garantiu o reconhecimento da instituição o fato de ela ser a que mais registra patentes em todo o país. Apenas em 2011 foram 500, 362 nacionais e 138, internacionais - sobretudo na indústria farmacêutica.

Hoje a UFMG desenvolve cerca de 3.500 projetos de pesquisa, em que estão envolvidos mais de 2.000 pesquisadores. No ano passado, o Ministério da Educação classificou os 25 programas de mestrado e doutorado da instituição como de padrão internacional, além de ter concedido nota máxima aos cursos de graduação e pós-graduação que oferece.

"Esse é o reconhecimento do esforço que nós tem feito, e isso tem o efeito de estimular cada vez mais os nossos estudantes a se dedicarem à pesquisa", afirmou Campolina. Para ele, a produção científica tem passado por grandes avanços no Brasil. "Mas precisamos melhorar a escola fundamental média, porque é aí que está o alicerce da educação". (TF)

FOTO: WILSON DIAS/ABR

Kaiodê Leonardo Biague recebe o prêmio da presidente

MINIENTREVISTA

"A mobilidade em BH é um entrave"

Kaiodê Biague

Estudante de arquitetura

Em que medida a realidade de Belo Horizonte contribuiu para o desenvolvimento da sua pesquisa?

Sempre me interessei por essa questão da mobilidade, a princípio porque eu pegava muitos ônibus, mas depois porque sei que a questão da mobilidade em Belo Horizonte é um grande entrave. A cidade cresceu, mas a oferta do serviço e a qualidade dele ainda são bastante deficitárias.

O que é necessário para tirar do papel a sua proposta de colocar placas no sistema BRT capazes de captar a luminosidade do sol para produzir energia elétrica?

O meu projeto é conceitual, mas o próximo passo é passar para uma fase experimental. Vamos testar, a princípio, virtualmente - com a simulação em computador -, para, mais para frente, passar para um teste prático. Eu também vou procurar quem está preocupado com essa questão da produção de energia limpa. (TF)

MINIENTREVISTA

"O déficit está nas periferias da cidade"

Uende Figueiredo

Doutoranda em engenharia ambiental

O seu trabalho mostra que, em algumas favelas de Belo Horizonte, o saneamento depende de outros fatores que não só a obra física. Por quê?

A mensagem que eu gostaria de deixar com esse trabalho é que, no caso de vilas e favelas, a presença da infraestrutura física, embora seja fundamental, não garante o acesso a esses serviços que são essenciais. O motivo é que, por outros fatores, a população pode não aderir a esses serviços implantados.

O Estado pode fazer alguma coisa para melhorar a situação?

Quando nós avaliamos o saneamento básico, não só na região metropolitana de Belo Horizonte, o que nós observamos é que a maior concentração dos déficits está nas periferias da cidade. Então, alcançar a universalização do acesso a esses serviços necessariamente perpassa a atuação do Poder Público. (TF)

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