| Crime assombra escolas do DF |
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| 02-Ago-2011 | ||||||
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JORNAL DE BRASILIA
Um crime silencioso que, muitas vezes, deixa marcas profundas no corpo e na alma de crianças e adolescentes, a pedofilia é tratada pelas autoridades como uma realidade que assombra as escolas do Distrito Federal. Entre os meses de janeiro e julho deste ano, 11 ocorrências de natureza sexual foram registradas pelo Batalhão Escolar. Entre elas, um caso de pedofilia que ocorreu em uma escola na Cidade Estrutural. O alvo do criminoso foi um menino de apenas 11 anos. Para combater o avanço do delito dentro das salas de aula e nos perímetros escolares, policiais treinados ministram palestras educativas de prevenção à pedofilia e outros crimes sexuais. Uma cartilha elaborada pelo Batalhão Escolar, também difundida nas escolas, dá dicas importantes de como pode ocorrer o abuso sexual, além de definir o perfil do abusador e as principais condutas preventivas para evitar que pedófilos trans-formem as vítimas em presas fáceis. Longe do olhar dos familiares, alunos ainda em formação ficam vulneráveis quando estão indo ou voltando das instituições de ensino. Foi em um desses momentos que um homem - atualmente sob investigação da Polícia Civil - tentou aliciar um menino de apenas 11 anos, que estuda em uma escola na Cidade Estrutural. Policiais à paisana do Batalhão Escolar tentaram prender o suspeito, em vão. O homem desapareceu depois que a vítima contou detalhes do que havia ocorrido. "Esse é um caso grave. O menino contou ter sido ameaçado com uma arma de fogo para manter relações sexuais com esse homem. Depois, o garoto foi ameaçado de morte caso contasse alguma coisa. Outros dois meninos também teriam sido alvo desse suspeito, que está foragido", afirmou o subcomandante do Batalhão Escolar, major Valtênio Antonio de Oliveira. CLASSE SOCIAL Apesar dos estudos científicos atestarem que a pedofilia não escolhe classe social, a maioria dos casos atendidos pela polícia envolve vítimas de famílias humildes no DF. De acordo com as estatísticas obtidas com exclusividade pelo Jornal de Brasília, os casos de crimes de natureza sexual registrados dentro das salas de aula ou nos perímetros escolares ocorreram em seis cidades diferentes neste ano. Com exceção de um caso de atentado violento ao pudor em uma escola do Plano Piloto, todas as outras dez o corrências foram atendidas em Ceilândia, Gama, Samambaia, Taguatinga e Cidade Estrutural. De modo geral, segundo a psicóloga Lívia Borges, a pedofilia está vinculada à relação desigual de poder - autoridade ou domínio - existente, ainda que provisório. "Não existe local nem hora para esse tipo de crime acontecer. Também não podemos confirmar que as vítimas mais atingidas são crianças de bairros pobres. No entanto, é possível dizer que os casos de pedofilia envolvem, na maioria, pessoas que são do convívio próximo da criança", explicou a psicóloga, que ajudou na elaboração da cartilha de prevenção distribuída pelo Batalhão Escolar. A psicóloga lembrou que a escola tornou-se um ambiente perfeito para passar uma mensagem de alerta para pais, professores e alunos. "O material que foi produzido e passou a ser disseminado reforça a necessidade de alertar à comunidade para a prevenção, denúncia, interrupção da violência e reconhecimento de direitos. Todo esse processo precisa contar com um diálogo entre a polícia, a escola e a comunidade", afirmou a psicóloga. As escolas do DF ainda enfrentaram dois casos de estupro que ocorreram com duas alunas da rede pública em Samambaia e um registro de favorecimento à prostituição, que ocorreu em Ceilândia. Segundo o comandante do Batalhão Escolar, tenente-coronel Eduardo Leite, a segurança promovida pela Polícia Militar nas escolas será ainda mais efetiva com a manutenção do Programa Muita calma Nessa Escola, lançado esse mês, após uma parceria firmada entre as secretarias de Segurança e de Educação. "Além da presença mais efetiva e intensa dos policiais do batalhão nas 40 escolas escolhidas para receber o programa, temos policiais treinados para ministrarem palestras específicas sobre diversos assuntos, incluindo a pedofilia", disse. Para afastar a prática de casos de pedofilia nas escolas, as autoridades apostam que o tema sobre a prevenção ao abuso sexual e exploração de crianças e adolescentes pode ser associado à temática da sexualidade como parte de algumas disciplinas. Adequar o tema à faixa etária e usar recursos lúdicos também é uma das alternativas para blindar as crianças em relação a possíveis ataques. "Te n t a m o s abordar os temas em pequenas oficinas, seminários, campanhas de prevenção, como também na produção de cartazes, painéis, documentários e debates", afirmou o comandante. "Não existe local nem hora para esse tipo de crime. Mas é possível dizer que os casos de pedofilia envolvem, na maioria, pessoas que são do convívio próximo da criança." Lívia Borges, psicóloga
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