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| Educação alta entre árabes dá o combustível para protestos |
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| 01-Mar-2011 | ||||||
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FILIPE CAMPANTE A maioria dos observadores da atual turbulência no mundo árabe concorda em um aspecto: foi inesperada. No entanto, fatores plenamente visíveis - relacionados à educação, à demografia e à falta de oportunidades econômicas - já apontavam para maior instabilidade. Está fartamente documentado que pessoas mais educadas são mais propensas a participar de atividades políticas - do voto aos protestos. No entanto, como demonstra pesquisa conjunta minha com o professor Davin Chor, da Singapore Management University, essa ligação condiciona-se à disponibilidade de oportunidades. Habilidades adquiridas pela educação conduzem a aumento da disposição de se envolver em política e da efetividade do envolvimento. Contudo, se elas são recompensadas em outras atividades, é menos provável que sejam utilizadas para fins políticos. Os países onde as oportunidades são abundantes exibem menos engajamento político por parte de pessoas instruídas - precisamente o tipo de envolvimento que é mais assustador para os regimes autoritários. O mundo árabe não tem sido um modelo de dinamismo econômico. As economias da região não são voltadas para atividades que usam intensivamente o "capital humano" adquirido via educação. Menos reconhecido é o fato de que vários desses países estão entre os que mais têm investido em educação. Dados compilados para 104 países pelos economistas Robert Barro e Lee Jong Wha mostram que, entre 1980 e 1999, o Egito foi o quinto país onde mais cresceram os anos de escolaridade média -135%. A Tunísia vem não muito atrás, com mais de 70% de aumento. De nove membros da Liga Árabe incluídos, oito encontram-se entre os 25 países no topo da lista. Há portanto um cenário no qual uma enorme quantidade de jovens árabes encontra-se muito mais educada que seus pais e avós. Na falta de oportunidades econômicas, esse contingente dedica as habilidades adquiridas às atividades políticas - das páginas do Facebook à organização de protestos. Ao investirem em educação sem proporcionarem oportunidades condizentes, os autocratas árabes contribuíram enormemente para a situação que ora os aflige - para sorte da democracia.
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