Escolas Itinerantes
| Igualdade no Legislativo |
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| 30-Jul-2010 | ||||||
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Negros querem atuar em favor de suas próprias causas dentro da Câmara Carla Rodrigues - JORNAL DE BRASILIA A luta dos negros por igualdade racial no do Distrito Federal não se limita mais aos pátios das universidades e aos fóruns e conferências do País. O movimento afrodescendente da região quer também estar dentro das salas suntuosas e acarpetadas do novo prédio da Câmara Legislativa. Mais de dez candidatos negros ao cargo de deputado distrital prometem priorizar o tema. "Essa participação negra na política é extremamente importante pelo fato de que pode trazer à tona pautas próprias do movimento, que é prioridade para eles", explicou o cientista político Danilo Silvestre. Entre as propostas dos postulantes, destacam-se a inserção dos negros no mercado de trabalho, a melhoria da qualidade do ensino nas escolas públicas, o combate a todos os tipos de discriminação, a ampliação do sistema de cotas e divulgação da história afrobrasileira nos centros de ensino. "Brasília não contempla a questão racial, não é uma cidade que debate o tema com seriedade. Por isso, um candidato negro, que tenha envolvimento com a questão da integração negra, pode ampliar esse espaço", avalia Roque Manoel dos Santos, candidato pelo PSDB. A coordenadora do Movimento Negro Unificado do Distrito Federal (MNUDF) e também candidata a deputada distrital pelo PT, Jacira da Silva, afirma que a participação negra na política é, na verdade, mais uma luta pelos direitos da população afrodescendente. "Omissão é uma forma de exclusão. Nós, negros, não podemos não participar. A política também tem que ser feita com e para os negros", afirma. DISCRIMINAÇÃO Escravos na Colônia e no Império, os negros querem agora a reparação do Estado brasileiro. Mas, para que isso aconteça, opina Jacira, os projetos da Câmara não podem ficar reféns de um grupo aliado ao governo local. "Cabe à população dizer se quer a manutenção disso ou não. A população negra sofre com a falta de educação, de acesso à saúde, de cultura. Qual é o lugar do negro na sociedade? Ele tem lugar? Que lugar é esse? Esse quadro tem que ser revertido", argumenta. A professora aposentada Elza Caetano, fundadora do Centro de Identidade Cultural Negra de Brazlândia, afirma que a presença dos negros na política local só vai valer a pena quando algum candidato tiver como prioridade a educação. "É a base de tudo, não? Ainda há muita discriminação contra os negros e, infelizmente, as escolas públicas são cenários disso. Os candidatos têm que implementar a melhoria da educação no DF", ressalta. Candidato a distrital pelo PMDB, Walter Marcelo diz que sua preocupação em relação à questão racial é com a auto-estima dos negros. "Eu sou negro e sempre fiz questão de enfatizar minhas raízes. Muitos ainda têm vergonha de assumir isso". Na opinião de Walter Marcelo, a Câmara precisa de uma renovação e isso inclui a participação do movimento negro. "Minhas propostas não são exclusivas para o público negro, mas eu defendo, e sempre vou defender, o direito de igualdade racial". MAIOR PARTICIPAÇÃO A participação dos negros na política vem aumentando nos últimos anos. Nomes publicamente identificados com a causa negra ocupam e já exerceram importantes cargos no Congresso Nacional. Esse é o caso da deputada Benedita da Silva (ex-senadora e ex-governadora do Rio de Janeiro) e do ex-deputado federal Paulo Paim (atual senador pelo Rio Grande do Sul). Entre os partidos que mais possuem candidatos negros estão o PT, o PCdoB, o PMDB e o PSDB. Danilo Silvestre lembra a importância de todos na luta pela causa. "Na história da política negra, só fizeram a diferença aqueles que têm envolvimento com o tema. Nem todo negro é defensor da causa, mas podem ter candidatos brancos que se sensibilizam com o tema". Jacira Silva completa: "O conhecimento não tem raça, cor ou sexo. Todos têm que ter acesso a ele". SAIBA + Movimentos sociais envolvendo grupos negros perpassam toda a História do Brasil. Contudo, até a Abolição da Escravatura, em 1888, eles eram quase sempre clandestinos e de caráter radical, sendo que seu principal objetivo era a libertação dos negros. Em 1910, os movimentos sociais afrobrasileiros começam a trilhar novos caminhos, lutando por cidadania e direitos iguais. O Movimento Negro Unificado foi fundado em 1978, com o objetivo de discutir questões raciais com o povo negro.
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