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| DF: Ensino deficitário é a preocupação |
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| 30-Jul-2010 | ||||||
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CORREIO BRAZILIENSE Lideranças comunitárias locais participam de um encontro que tem como tema principal a discussão sobre a urgência em se ampliar a oferta de escolas. Maioria delas está com a manutenção comprometida A vida de Bárbara Alves, 14 anos, pode mudar de forma brusca no ano que vem. A moradora da Fercal ingressará no 1º ano do ensino médio e, em vez de continuar estudando perto de casa, terá de se matricular em um colégio de Sobradinho. A estrada é longa. "Vai ser ruim pegar ônibus todos os dias", prevê. A garota não tem alternativas. Na Fercal, a oferta das três últimas etapas da educação básica se resume a turmas em apenas uma das 10 escolas da área (veja quadro). Todas as poucas vagas disponíveis são para o período noturno. A precariedade no ensino médio do local, pertencente à região administrativa de Sobradinho II, preocupa dirigentes da rede pública. Cerca de 100 professores, diretores, pais de alunos e líderes comunitários se reuniram ontem com representantes do governo para debater os problemas educacionais da Fercal. Após votação, concluíram que a questão mais urgente se refere à infraestrutura dos colégios. Em segundo lugar, elegeram a pouca oferta das séries finais, fato que prejudica estudantes como Bárbara. Por último, atentaram para a necessidade de cursos técnicos. Equipes formadas por profissionais da área discutirão iniciativas para melhorias dos três pontos, escolhidos entre uma lista de 10 itens. Os tópicos foram levantados a partir de um diagnóstico realizado pelo Grupo Votorantim, uma das várias fábricas de cimento do local. A empresa criou, em 2009, um conselho comunitário com lideranças da região e promoveu o encontro de ontem, no Centro de Ensino Fundamental Fercal. "Quem se propôs integrar as equipes terá de apresentar propostas e ver como pode contribuir", explica a consultora de responsabilidade social da empresa, Daniela Sales. O relatório com os principais problemas dos colégios públicos da Fercal foi entregue ontem ao GDF. O secretário adjunto de Educação, Jacy Braga Rodrigues, participou do encontro e percebeu que o documento contém diretrizes importantes. "Existem intervenções que precisam ser feitas de imediato. Há uma licitação em andamento que viabilizará as mudanças urgentes", explicou. Jacy ressaltou, no entanto, que o órgão trabalha com a descentralização de recursos(1). "Coisas como a colocação de tampas nos quadros de energia podem ser resolvidas pela própria escola", exemplificou. Demanda A articulação dos professores, diretores e moradores com o GDF beneficiará cerca de 2,7 mil crianças e adolescentes que frequentam as escolas do local. Na opinião do diretor regional de ensino de Sobradinho, Ranieri Falcão, o desafio se concentra em melhorar a estrutura da Fercal. "A comunidade precisa de mais espaço físico", afirma. Falcão acredita que o surgimento de mais unidades desafogará os colégios públicos de regiões próximas. "A demanda atual vai toda para Sobradinho I e II. Com a construção dessas escolas, será possível fazer as matrículas de forma diferenciada", justifica. Os projetos que acabarão com a falta de escolas na Fercal esbarram em empecilhos judiciais para sair do papel. O secretário adjunto de Educação conta que o órgão pretende levantar um novo centro de ensino médio na região. "A área foi doada por um particular e precisa passar a ser de propriedade do Estado. Não é um processo tão rápido", pondera Jacy. No ano passado, a comunidade perdeu uma escola (leia Memória). "Para ser construída em outro lugar, o Ministério Público do DF precisa liberar o uso da área disponível", emenda. Enquanto isso, os estudantes convivem com o que têm. Helen Cristina Santana, 8 anos, frequenta uma turma de 2ª série da Escola Classe Engenho Velho e foi vítima da falta de estrutura dos estabelecimentos de ensino locais, principal apontamento feito pelo conselho comunitário da Fercal. Durante a aula, a cadeira em que a garota estava sentada quebrou. Além do mau estado de conservação dos equipamentos, há outros problemas. "Falta acessibilidade para cadeirantes e segurança para as crianças", enumera Débora Santanta, 28, mãe de Helen Cristina. 1 - Autonomia A Secretaria de Educação criou, em 2007, o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf). As escolas e diretorias regionais de ensino passaram a receber uma quantia anual calculada com base na quantidade de alunos. A aplicação dos recursos deve atender as prioridades estipuladas pelo Conselho Escolar. Educação A maioria dos colégios leva o nome de comunidades rurais Escola Classe Córrego do Ouro Escola Classe Ribeirão Escola Classe Caatingueiro Escola Classe Boa Vista Escola Classe Sonhem de Cima Escola Classe Engenho Velho Escola Classe Loberal Escola Classe Morro do Sansão Centro de Ensino Fundamental Queima Lençol Centro de Ensino Fundamental Fercal Memória Cimento perigoso Em janeiro de 2009, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) determinou o fechamento do Centro de Ensino Fundamental Queima Lençol. A instituição ficava próxima a uma fábrica de cimento e a poluição liberada pela empresa ameaçava a saúde dos 454 estudantes. Os alunos foram transferidos para um escola em Sobradinho II, com direito a transporte gratuito oferecido pela Secretaria de Educação. À época, o laudo feito pelo MPDFT alegava também os riscos de atropelamentos em função da proximidade com a DF -150, por onde os carros circulam em alta velocidade. Há uma área destinada à construção de um novo prédio para abrigar escola. É preciso, no entanto, que as promotorias de defesa da Educação e do Meio Ambiente permitam o uso do terreno. Eu acho... "As escolas da Fercal deveriam ser mais arrumadas. A bagunça está grande. Também falta segurança. Há pessoas que vão para os colégios só para influenciar os outros a fazerem coisas erradas. A polícia e os próprios diretores precisam prestar mais atenção nos alunos" Cleonice Gomes, 32 anos, auxiliar de serviços gerais, moradora da Fercal
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