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| BOA Surpresa nordestina |
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| 27-Jul-2010 | ||||||
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O GLOBO Seis colégios de Teresina estão no top 50, resultado inferior só ao do Rio. Qual é o segredo? Efrém Ribeiro - TERESINA Além do segundo lugar geral, com o Colégio Dom Barreto, Teresina emplacou mais cinco escolas entre as 50 melhores do Brasil, pelo ranking do Enem. Não há paralelo com qualquer outra cidade nordestina (só Feira de Santana e Recife figuram, com uma escola cada). Em comparação com todo o país, só o Rio (12 colégios) aparece mais vezes que a capital do Piauí no top 50. Não é a primeira vez que o Dom Barreto vai para as cabeças. Em 2007 a escola liderou o ranking. E, no ano seguinte, foi a nona colocada. Este ano, ganhou a companhia de Instituto Antoine Lavoisier (12ºlugar), Educandário Santa Maria Goretti (19º), Colégio Lerote (27º), Colégio Sagrado Coração de Jesus (34º) e Colégio São Francisco de Sales (37º). Apesar da ausência de escolas públicas, chama a atenção o bom desempenho teresinense. Afinal, qual é o segredo? Em comum, essas escolas fazem seleção de seus alunos ou os acompanham desde o ensino infantil ou fundamental; a maioria dos professores tem pós-graduação (30% deles, mestrado ou doutorado); todas têm aulas práticas em laboratórios, e a entrega de deveres de casa é obrigatória (numa delas, o aluno não entra na sala de aula sem as tarefas feitas). Além disso, o ritmo de estudo é puxado, com até oito horas de carga horária, e todas já dispõem de algum tipo de apoio tecnológico - professores e alunos podem usar laptops, e algumas adotaram os smart boards (quadros eletrônicos interativos). Tantos bônus têm seu preço: a cobrança de mensalidades - que variam de R$ 500 a R$ 580 mensais nos principais colégios - é rigorosa. E pode pesar no orçamento familiar do Piauí, o estado brasileiro com menor renda per capita (em 2006 era de R$ 4.213, segundo o IBGE). Não são poucos os alunos que associam o bom desempenho das escolas particulares daqui ao esforço para sair do Piauí, onde são escassas as grandes oportunidades de trabalho. É comum ver piauienses entre os primeiros em universidades como USP, UnB, ITA e UFRJ. A fama já rendeu brincadeiras controversas, como uma faixa estendida em João Pessoa (PB) que dizia "Quer passar no vestibular? Mate um piauiense". Ex-aluno do Dom Barreto, Ricardo Furquim, 17 anos, não sofreu um atentado. E passou com 840 em 2009, o que lhe garantiu vaga para Medicina na UFPI. Mas ele quer o ITA: - O exame exigiu uma capacidade de leitura muito rápida, acho quem foi preparado para isso pelo colégio não enfrentou grandes dificuldades. Quero ser engenheiro aeronáutico, acho que vou conseguir. Ali, como em outros dos colégios campeões, os professores dão assistência integrar aos alunos - até o recreio é usado para tirar dúvidas. - Os professores, pedagogos, coordenadores, todo mundo vive em função dos alunos. Valorizamos o Enem desde que soubemos que a ideia era usá-lo como principal forma de acesso às universidades - conta o sócio-diretor do Instituto Antoine Lavoisier, Isbael Emídio de Sousa. Aluno do terceiro ano do ensino médio ali - e fãs de séries como "ER", House" e "Grey's Anatonomy" -, Marcus Vinicius Neves Gonçalves, de 17 anos, vai fazer vestibular para Medicina na UnB. Ele é outro a crer que os estudantes de Teresina são forçados a procurar melhores condições de vida e apostam nos estudos: - O povo se vê forçado a sair. No Piauí não existem muitas chances. Os colégios particulares têm os melhores alunos porque selecionam. Para a diretora pedagógica do Colégio Lerote, Rosângela Fonseca Napoleão do Rêgo, cobrar o aluno e acompanhá-lo é mais importante que apenas escolher os melhores. - Não temos só alunos prontos. Entre os que tiveram bons resultados no último Enem, um chegou aqui com uma defasagem. Teve aulas extras e atenção individualizada. Braian Lucas Aguiar, 17 anos, aluno do 3oano do Lerote, faz coro com ela. - É ótimo poder ter uma educação customizada. Quando a gente não está bem em uma disciplina, o professor vem conversar. Estou confiante que consigo uma vaga em Medicina - diz.
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