A violência entre jovens PDF Imprimir E-mail
26-Jul-2010
Artigo  publicado em 26/07/2010 no JORNAL DE BRASILIA

Saulo Santiago

A juventude de hoje está imersa em um caldo de cultura que valoriza a conquista do sucesso a qualquer custo. Em uma sociedade caracterizada pela vulgarização da violência, coexistem fatores que influenciam rapazes e moças a cometer, sofrer ou testemunhar atos de violência física ou moral. Prolifera nos educandários de diferentes níveis de ensino a prática do bullying, dos trotes vexatórios e das brigas entre grupos de escolares de diferentes escolas.

O bullying pode ser definido como "atitudes de violência física ou psicológica, que ocorrem sem motivação evidente, praticadas contra pessoas com o objetivo de intimidá-las ou agredi-las, causando dor e angústia". Segundo psicólogos estudiosos do assunto, a adolescência é período da autoafirmação, do culto da virilidade e do predomínio da opinião do grupo sobre a vontade do indivíduo. É a fase em que os jovens adolescentes de ambos os sexos procuram exibir-se perante seus colegas ou amigos, praticando atos duvidosos ou de flagrante agressividade. Estudiosos da matéria afirmam que os agressores têm geralmente personalidades autoritárias, combinadas com forte necessidade de controlar ou dominar seus semelhantes.

Há cerca de três anos, importante estudo realizado por entidade estatal em parceria com órgão da Organização Mundial da Saúde, desmistificou algumas das causas usualmente apontadas da violência infanto-juvenil no Distrito Federal. Pesquisa realizada com mais de mil jovens do DF, apontou, por ordem de importância, os principais fatores determinantes da violência interpessoal entre os jovens de nossas cidades e setores, incluindo o Plano Piloto. Em primeiro lugar, o estudo aponta o fator pessoal como o mais importante gerador da violência. Os fatores comportamentais de ordem pessoal que mais influenciam os jovens a cometer atos de violência física contra alguém são: utilização de arma de fogo; porte de arma de fogo; uso de cocaína e de outras drogas ilícitas; indivíduo de sexo masculino como agente da agressão; uso abusivo de bebida alcoólica; falta de referência pessoal, pois a ausência de um modelo positivo no qual o jovem poderia se espelhar, muitas vezes propicia a atitude agressiva.

Existe ainda o fator familiar. A ausência da figura do pai e a concentração afetiva na figura da mãe deixa o jovem sem o referencial paterno. A mãe simboliza o amor; o pai, a ordem e o respeito à lei. Com ele ausente no quotidiano do lar, o jovem tende a substituir a figura paterna por outras e, na pior das hipóteses, por marginais que convivem com ele na comunidade. A pesquisa revelou que a educação é um dos melhores antídotos contra a violência. A reprovação escolar aumenta a propensão de o jovem tornar-se violento. Para cada ano de reprovação adicional, aumentam as chances de o repetente transformar-se em pessoa violenta. A sociedade civil e o Estado têm que se unir para minimizar a violência entre os jovens. Família, Escola, Mídia e Comunidade Organizada necessitam articular-se.

*Saulo Santiago, Presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Brasília.

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