O tiro de revólver no rosto não deixou seqüelas, mas marcas profundas vão ficar para sempre na vida de uma mulher que os JH entrevistou. Aos 31 anos de idade, ela tenta recuperar a alegria, depois do trauma que sofreu um ano atrás: o marido tentou matá-la e depois se suicidou, inconformado com a separação. “Estou bem porque estou viva, posso trabalhar, batalhar”, ela diz, decidida.
Quase 7 mil mulheres (6.954) sofreram algum tipo de violência em Pernambuco desde janeiro; foram 222 mortes neste ano, contra 228 em todo o ano passado.
Para a delegada Denise Valentim, é preciso que a mulher reaja a qualquer sinal de violência: “Um pequeno tapa deve ser denunciado, e o agressor deve ser punido. Isso para que não se instale um ciclo de violência que venha a culminar numa situação grave, em casos muito tristes que envolvem toda a família”, ela explica.
Valorizar a vida e fortalecer a auto-estima são lições que se aprende num grupo que vem ajudando muitos jovens de comunidades pobres do Recife a enfrentar desde cedo situações de violência. “Não preciso ser dono de uma mulher para ter um relacionamento com ela, só devo respeitá-la”, diz um rapaz, consciente.
Lembrando as vítimas de violência nas missas, a Igreja Católica está denunciando os assassinatos em Pernambuco. Os padres agora são orientados a ler os nomes das mulheres durante a celebração. “À igreja cabe o sentimento de mãe, de acolhida e de conforto às pessoas, mas especialmente de engajar todo cristão na luta contra a violência", defende o padre João Carlos, provincial dos salesianos no Nordeste.












