Educação e inclusão social PDF Imprimir E-mail
01-Fev-2010

Vivina do C. Rios Balbino


Sabemos que a educação é o fator maior de inclusão social, cidadania e realização profissional. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, é por meio da educação de qualidade que o homem torna-se cidadão e aprende a ler a realidade social como participante ativo.

Prova disso é uma recente pesquisa da Associação dos Magistrados do Brasil intitulada "Justiça em números - novos ângulos", da autora Maria Tereza Sadek. A pesquisa revela a relação direta entre o nível de escolaridade e a busca dos direitos na Justiça no país. Sobre os resultados, a autora comenta que a alfabetização implica maior conhecimento dos direitos e as pessoas procuram mais a Justiça. Nos estados mais pobres, com maior número de analfabetos, há menor procura pela Justiça. Segundo o presidente da AMB, as pessoas mais esclarecidas reivindicam mais os seus direitos e têm mais noção de cidadania.

Frequentar escola, principalmente na infância e na adolescência, assumindo com compromisso o processo educativo, é de suma importância. Mas no Brasil, cerca de 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos ainda estão fora das escolas, ficando à mercê do envolvimento com drogas, bebidas e criminalidade. É certo que muitos deles buscam o mercado de trabalho, mas é possível conjugar as duas atividades.

Pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou um aumento de 82% para 84,1% da demanda nas escolas de ensino médio. O Ministério da Educação estuda a possibilidade de tornar o ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos no Brasil e que, de fato, todos estejam estudando.

Outro dado preocupante é que cerca de 30% das crianças na faixa de 4 a 6 anos também não estão matriculadas em escolas. Crianças e adolescentes fora das escolas, como mostram os dados, cria um espaço perigoso para o surgimento de graves problemas sociais como ociosidade, desestruturação familiar, envolvimento com drogas, bebidas, pequenos delitos, prostituição, pedofilia, entre outros.

O Ministério da Educação inova em vários programas educativos de sucesso como o Prouni - Programa Universidade para Todos; Enem - Exame Nacional do Ensino Médio; Sistemas de Cotas nas universidades; Enade - Exame Nacional de Desempenho de Estudantes; Prova Brasil; entre outros. Mas é necessário avançar na maior inclusão social pela educação, buscando processos mais eficientes de inserção de crianças e jovens em escolas de qualidade, onde os conhecimentos estejam articulados à realidade social dos alunos, proporcionando de fato a formação de uma nova consciência intelectual e cidadã.

Há discussão de mudanças no enfoque teórico-metodológico. De curso meramente preparador para o vestibular para uma educação geral de qualidade com bons laboratórios e também conteúdos embasados na sociologia, filosofia e psicologia, que possibilitem o aprofundamento da dimensão humana nos problemas do dia a dia: o indivíduo cidadão, o indivíduo político, o indivíduo sensível aos direitos humanos e o indivíduo participante das grandes questões sociais da comunidade e do país.

Nas universidades, é importante priorizar os cursos que formam educadores - pedagogia e licenciaturas. Alocar bons mestres e doutores nessa área estratégica e não professores menos qualificados. Esses cursos ainda têm pouco prestígio dentro das universidades. O prestígio virá com a valorização real da categoria, com a implantação do piso nacional salarial do educador no Brasil e com essa consciência de que a educação transforma a realidade. Importante cooptar todos os estudantes para os grandes projetos científicos e humanitários, promovendo uma revolucionária inclusão social pela educação de qualidade em todos os níveis de ensino, incluindo um mutirão nacional para eliminar o analfabetismo de adultos. Com certeza, é um projeto possível!

Vivina do C. Rios Balbino - Psicóloga, professora universitária e autora do livro Psicologia e Psicologia Escolar no Brasil: formação acadêmica, práxis e compromisso com as demandas sociais

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artigo publicado em 1/2/2010 no jornal Correio Braziliense

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