Terminei o ensino médio. E agora? PDF Imprimir E-mail
04-Jan-2010



Confira os planos dessa galera e dicas do que fazer em uma nova fase da vida

  • Camila de Magalhães - Correio Braziliense

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    Thiago , 17 anos, aguarda o resultado do vestibular da UnB, mas quer trabalhar
     
    Laurinda, 17 anos, fará um curso técnico para conseguir um emprego melhor

    Fotos: Evandro Matheus/Esp. CB/D.A Press
    Bianca Adami, 18 anos: opção por um intercâmbio cultural nos estados unidos para melhorar o inglês

    Marina Mello, 17 anos: curso técnico de música para aprender a tocar harpa
     

    Para muita gente, mais um ano se passou e, junto com ele, o ensino médio ficou para trás. E agora? Diante de tantas possibilidades, sobram dúvidas sobre o que fazer da vida daqui para frente. O sonho mais comum dos adolescentes é ingressar logo numa universidade, mas há quem prefira outras opções. Um intercâmbio cultural para os Estados Unidos foi a escolha dos estudantes Daniel de Morais Kodama, 17 anos, e Bianca Adami, 18. A dupla pretende aprimorar uma segunda língua e amadurecer com novas experiências.

    “Quero aprender o inglês na prática e conhecer uma nova cultura antes de começar o vestibular”, afirma Daniel, que ainda se acha novo para entrar na universidade. “Como vou sozinha, sem conhecer ninguém, vou aprender a ter mais responsabilidade”, comenta Bianca.

    Marina Mello, 17, optou pelo curso técnico de música. Desde os 9 anos, está matriculada na Escola de Música de Brasília, onde investe na prática de harpa. “Quando entrei no ensino médio, comecei a querer viver de música. Pesquisei o mercado, vi que a UnB não tem harpa e esse é o meu foco”, diz a moça, que vai levar mais três anos para se formar na escola.

    O foco da estudante Laurinda Rodrigues dos Santos, 20, é aperfeiçoar-se para entrar logo no mercado de trabalho. Ela vai começar um curso técnico para operador de caixa ou auxiliar administrativo. A ideia é conseguir um emprego em supermercado, loja ou como secretária. “O curso técnico é uma vantagem na hora de ser empregado”, acredita. O trabalho vai ajudar Laurinda a juntar dinheiro e poder pagar a faculdade depois, já que a família não tem condições de bancar os estudos.

    Thiago Limiro da Silva, 17, está confiante no bom desempenho no vestibular da UnB, onde concorre a uma vaga para geologia. Mas, até sair o resultado e começarem as aulas, não vai ficar parado. Se não conseguir um trabalho até fevereiro, o plano é fazer um curso técnico de informática para ampliar as possibilidades. “Ganhando o meu dinheiro, vou poder comprar as minhas coisas sem depender da minha família.”

    O aluno, quando termina o ensino médio, precisa conhecer as possibilidades de carreira porque hoje há uma gama muito grande de opções, observa Sylvana Rocha, gerente técnica de estágio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Na avaliação dela, a falta de informação é grande. Por isso, ela defende a busca por serviços especializados para se informar sobre áreas em ascensão e conhecer-se melhor porque é importante fazer o que gosta.

    Para ajudar na escolha profissional dos alunos, a orientadora educacional Maria Helena da Silva Araújo, do Centro Educacional 3 do Guará II (Centrão), desenvolveu o projeto Jornada das profissões. Desde o ano passado, alunos do ensino médio vão a universidades e pesquisam sobre as mais diferentes carreiras ao longo do ano para entender melhor a realidade de cada uma. Os resultados foram excelentes, diz Maria Helena.

    Tendência
    Uma tendência de mercado no Brasil, destaca Sylvana Rocha, é a busca por profissionais que atendam rapidamente às necessidades. “Os cursos tecnológicos, que também são de nível superior, mas de curta duração, oferecem uma formação mais específica e estão vindo com uma possibilidade de escolha de carreira”, alerta. Há opções em construção civil, transporte, hotelaria, informática, eletrônica, mecânica, moda, design de interiores, estética, cosmética, entre outros.

    Após concluir o curso, em dois ou três anos, o estudante pode optar por uma pós-graduação. “Normalmente, a pessoa vai buscar uma formação mais longa e generalista e, muitas vezes, não terá absorção tão rápida no mercado”, pontua a especialista. Sylvana ressalta que o sucesso tem início na hora da escolha da carreira e o indivíduo é o responsável pelo desenvolvimento e crescimento profissional, ligado aos estudos, que não podem mais parar.

    Para a gerente do CIEE, vale encarar a escolha e não ver como se fosse um caminho que vai garantir o futuro. “O diploma não garante nada, é preciso continuar se especializando”. Isso inclui ter domínio de outro idioma, aprender a ser flexível e ter facilidade de relacionamento. A dica é procurar logo um estágio ao entrar num curso da educação superior ou técnico. “A prática é uma forma de comprovar se a escolha foi bem feita e de conhecer áreas que a pessoa não imaginava”, diz Sylvana. Segundo ela, a experiência faz a diferença na hora de uma seleção para proposta de emprego. “O estudante que faz estágio torna-se muito mais maduro”, enfatiza.

    Campeão em desemprego
    O Brasil é campeão em desemprego na faixa etária de 15 a 24 anos, comenta Andreas Boffert, vice-diretor do Instituto de Formação Profissional Administrativa (IFPA). Em 2008, 46,6% desses jovens estavam sem trabalho, segundo pesquisa do Ipea. Boffert afirma que a Alemanha tem uma das menores taxas de desemprego nessa faixa (16,3%) porque oferece cursos profissionalizantes pelo sistema dual, com teoria e estágio. “Os jovens fazem esse tipo de curso e vão para o mercado de trabalho.”

    A experiência alemã é seguida pelo instituto em São Paulo. Em parceria com o colégio Humboldt e algumas empresas, o IFPA oferece cursos técnicos de dois anos com 70% do tempo voltado para o estágio em diversas áreas. De acordo com ele, cerca de 50% a 60% dos jovens permanecem na empresa onde fazem estágio e o fator de empregabilidade após o curso fica entre 80% e 90%.



    Para entrar no mercado

    Saiba onde encontrar cursos técnicos, tecnológicos e de capacitação

    Senai
    www.senai.org.br
    O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial oferece cursos técnicos e tecnológicos voltados
    para a indústria.

    Senac
    www.senac.br
    O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial dispõe de cursos livres, técnicos, de graduação e
    pós-graduação – presenciais e
    a distância – em áreas que
    vão do comércio, ao meio
    ambiente e saúde.

    IFPA
    www.humboldt.com.br
    Instalado em São Paulo, o Instituto de Formação Profissional Administrativa une teoria e prática, com estágios em empresas parceiras. São cursos técnicos de dois anos nas áreas de gestão empresarial, administração geral da indústria, comércio internacional, seguros, informática, secretariado, transportes e logística. Para entrar, é preciso ter bom nível de alemão e inglês.

    CIEE
    www.ciee.org.br
    São mais de 2 mil cursos de capacitação gratuitos – como se preparar para uma entrevista de trabalho, como agir em dinâmica de grupo, ter boa redação, comunicação verbal e escrita, aprender a montar um projeto. Os cursos dão certificação e podem ser incluídos no currículo. Há ainda o serviço gratuito de orientação profissional.
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