Escolas Itinerantes
Cidadania
- SP não adere à agenda de desenvolvimento de EJA; sociedade civil articula para fortalecer ensino
- Favela carioca tem 10 vezes menos diploma universitário que asfalto
- Idosos em bancos universitários
- Analfabetismo cai, mas ritmo ainda é lento
- Taxa de analfabetismo cai 1,8 ponto percentual
- Brasil ainda tem 14,1 milhões de analfabetos
| Sapecas demais? |
|
|
|
| 08-Dez-2009 | ||||||
|
# Silvia Pacheco - CORREIO BRAZILIENSE À primeira vista, o pequeno João Cláudio, 6 anos, é igual a qualquer outra criança de sua idade: curioso, alegre, espontâneo, amoroso. Sua rotina, contudo, o difere da maioria. João é portador de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Fica disperso por qualquer motivo, começa as coisas e não termina, é inquieto e impulsivo. Por isso, seus pais não perdem o foco no pequeno na hora de cobrar limites e criar estratégias para que ele supere e conviva bem com o TDAH. "É uma luta diária e uma atenção redobrada em tudo que ele faz e do jeito que faz. Com muita informação e ajuda multidisciplinar, vencemos a cada dia", diz Denise Ribeiro Rocha, mãe de João. Assim como João Cláudio, cerca de 8% das crianças em idade escolar apresentam os sintomas do TDAH (veja quadro). Muitas vezes, é a escola que os detecta e alerta os pais para procurarem um neuropediatra. São esses médicos, com ajuda de fonoaudiólogos e psicopedagogos, que fazem o dignóstico. "Os primeiros sintomas costumam aparecer na escola, quando o rendimento cai ou o comportamento muda", explica o pesquisador e professor de neurologia infantil da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Aucélio. O médico enfatiza, entretanto, que é preciso levar em conta a natureza da criança antes de rotulá-la como tendo TDAH. "Criança por si só é curiosa, tirana e gosta de testar. Os pais devem estar atentos se a criança estiver tendo prejuízos na escola e no social. Se isso estiver acontecendo, o ideal é procurar o neuropediatra e começar uma investigação." Segundo o médico, muitas vezes o TDAH é associado com outras patologias comportamentais, como o transtorno bipolar, associado com um quadro de ansiedade, transtorno obssessivo compulsivo, dislexia e autismo, entre outros. "Cabe ao médico neurologista diferenciar essas patologias, pois muitas vezes elas se misturam e isso pode tornar mais difícil o diagnóstico preciso", enfatiza. Aucélio alerta que o diagnóstico correto do TDAH deve ser feito por meio de entrevista com o paciente ou ou responsável, exames neurológicos e de potencial cognitivo e avaliação com um fonoaudiólogo especialista. "É preciso entender três fatores importantes: como a informação chega ao cérebro, como ela é processada e como o cérebro resgata essa informação. Com essas respostas, conseguimos descartar outras patologias comportamentais ou disfunções que afetam o desenvolvimento da criança, antes de receitar a medicação." Longa busca Denise, a mãe do pequeno João Cláudio, relata que levou quase dois anos para que seu filho fosse diagnosticado com segurança. "Foi uma busca incessante de respostas para o que meu filho tinha, pois não há um exame específico que detecte o TDAH", conta. João passou por dois neuropediatras e por baterias de exames neurológicos. Ambos os médicos diagnosticaram TDAH e receitaram a medicação - metilfenidato, conhecido como Ritalina. Porém, Denise relutou em dar o remédio. "Não sabia o que a medicação poderia acarretar. Não queria aquilo para o meu filho, porque não estava segura de nada", lembra. Denise continuou com a investigação até chegar ao Hospital Sarah - que tem uma pesquisa(1) em TDAH -, onde João foi realmente diagnosticado como portador do problema. "Não tenho problema com a medicação, meu problema era com a minha insegurança de estar fazendo o certo para o meu filho diante de um diagnóstico incerto", declarou. Aucélio explica que o uso do metilfenidato é de extrema importância para o TDAH. Entretanto, ele não descarta o tratamento multidisciplinar com psicólogo, pedagogo e fonoaudiólogo especialista. "Acho que esses profissionais têm uma grande importância no tratamento, pois ajudam o paciente a conviver com o TDAH, além de zerarem disfunções consequentes do transtorno." A fonoaudióloga e psicopedagoga especilista em TDAH Regina Celi Schettini acredita que o remédio só deve ser prescrito quando os prejuízos sociais e acadêmicos forem de grande escala. "O TDAH é como um quebra-cabeças. Algumas vezes, a pessoa acha que é e depois descobre que o problema está em outro lugar", conta. Schettini relata que muitos dos pacientes que chegam ao seu consultório com sintomas de TDAH na verdade têm um transtorno do processo auditivo (TPA), uma alteração auditiva que faz com que a pessoa não consiga compreender o que o outro fala. Essa alteração faz com que a criança, ou adulto, precise desenvolver um enorme esforço para entender o que o outro fala. Por conta desse esforço, a pessoa fica cansada e isso gera desatenção. "Existem agravantes visuais e ortópticos (estrabismo, lateralidade cruzada ou alternada) que podem ser a causa da desatenção. Tudo tem que ser investigado com cautela", explica a fonoaudióloga. Erro no remédio Em 2007, Menelle Amorim Torres Pires tinha 11 anos e cursava a 5ª série do ensino fundamental, quando começou a apresentar baixo rendimento escolar. Imediatamente, a escola contatou o pai da menina, Carlos Alberto Torres Pires, para contar o problema e chamou sua atenção quanto ao TDAH. "A escola me disse que ela era desatenta e agitada na sala de aula e apontaram que ela tinha TDAH", conta. Como a maioria dos pais, Carlos não sabia o que era essa síndrome e procurou um neuropediatra. Começaram as baterias de exames clínicos e neurológicos - e o médico chegou à conclusão de que Menelle realmente tinha TDAH. A menina começou a tomar Ritalina e teve uma melhora no desempenho escolar. Porém, começou a ter desmaios e Carlos resolveu mudar de neuropediatra. "Sem nenhuma explicação, ou exame, ele aumentou a dose da medicação", relata. Os desmaios continuaram e Menelle oscilava no rendimento escolar. "Notei que o remédio não estava fazendo efeito, estava estagnado", conta. O ano acabou e Menelle mudou de escola, levando consigo o laudo do médico sobre sua condição. Porém, a psicopedagoga da escola, depois de observar a menina durante dois meses, chamou o pai e disse que Menelle não tinha TDAH. "Ela insistiu comigo que minha filha não tinha nenhum sintoma que justificasse a síndrome", relata. Cansado e perdido, Carlos resolveu procurar o Sarah. "Não aguentava mais médicos, séries de exames, diagnóstico sem segurança", desabafa. Depois de três meses no Sarah, Menelle descobriu que não era portadora de TDAH. Há dois meses, deixou de tomar a medicação. "Depois de parar com a Ritalina, minha filha melhorou na escola", afirma. Aucélio explica que cada médico tem uma conduta, mas afirma que o bom senso deve prevalecer na hora de prescrever o metilfenidato. "O médico tem que englobar o desenvolvimento do cérebro como um todo, sem esquecer do fator comportamental." Segundo ele, avaliar o contexto familiar e escolar pode ser tão mais importante do que exames neurológicos ou prescrição de medicação. 1- Estudo profundo Com uma equipe multidisciplinar formada por neurologistas, pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, terapuetas ocupacionais e professores de educação física, o hospital diagnostica e trata crianças e adolescentes com a síndrome. Eles fazem parte de um estudo aprofundado de cientistas sobre o TDAH, que começou há oito meses. O que é o TDAH O transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, em que o cérebro produz dopamina em menor quantidade. Ele pode ter causas genéticas, aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida Sintomas Desatenção, dificuldade de concentração e de foco, dispersão Hiperatividade, inquietude em todos os momentos Impulsividade, impaciência e baixa tolerância à frustração Incidência Ocorre em torno de 6% a 8% das crianças em idade escolar. Em mais da metade dos casos, o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos Infância Em geral, se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com outras crianças, pais e professores. Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade do que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como, por exemplo, dificuldades com regras e limites Adultos Ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória. São inquietos e impulsivos. Têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento, e isso afeta os demais à sua volta. São frequentemente considerados "egoístas". Têm uma grande frequência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão Fonte: professor Carlos Aucélio e Associação Brasileira do Deficit de Atenção (ABDA)
Somente usuários registrados podem comentar!
Powered by !JoomlaComment 3.26
3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved." |
||||||
| < Anterior | Próximo > |
|---|
Analfabetismo
Analfabetismo: a exclusão pelas letras
Série especial produzida pela Agência Brasil mostra os principais gargalos desse problema e possíveis soluções para que o país supere o analfabetismo
Veja ma
Vídeo Educacionista
O que é educacionismo
entrevista com Cristovam Buarque













