Rússia de olho nos brasileiros PDF Imprimir E-mail
17-Nov-2009



País recebe estudante do DF e de outros estados para formá-los em medicina

Rafael Palmeiras - JORNAL DE BRASILIA

O sonho de estudar fora do Brasil pode se tornar realidade para alguns brasileiros. Por meio da Aliança Russa de Ensino Superior, 17 estudantes embarcam este mês para a Rússia. Com o aumento do interesse das universidades russas em receber jovens do Brasil, novas vagas estão abertas para estudantes que queiram cursar medicina no próximo ano.

Os alunos foram à Rússia para realizar graduação em Medicina, Engenharia Aeroespacial, Relações Internacionais e Ecologia. Assim, eles se juntam a outros 350 alunos que já foram enviados, desde 2005, pela Aliança Russa de Ensino Superior, que é a representante oficial das principais universidades russas no Brasil.

Feliz da vida, e de malas prontas, a jovem Gisele Lavarini da Costa, 18 anos, moradora do Riacho Fundo embarcou na semana passada para a Europa para estudar medicina. Acompanhada de jovens de nove estados diferentes, ela vai estudar no exterior e ter uma formação acadêmica diferenciada.

Gisele ficou sabendo da oportunidade por meio de sua mãe. "Minha mãe soube do curso e me incentivou a participar. Sempre tive o sonho de estudar fora do País", conta. E o curso de medicina foi ideal para a jovem. A estudante que já cursava o primeiro semestre de enfermagem em uma faculdade particular diz que não terá grandes problemas com a área de saúde. "Tenho interesse nessa atuação e estudar na Europa vai me trazer grandes conhecimentos", diz.

AULAS

Gisele vai estudar na Universidade Médica Estatal de Kursk (Ksmu), que tem reconhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Conselho Geral de Medicina de países europeus, como a Inglaterra e França. As aulas, que serão ministradas em inglês, não serão um problema para a estudante. Gisela tem conhecimentos em inglês e espanhol e acredita que com a viagem vai poder conhecer uma nova língua: o russo.

Essa é a primeira viagem de Gisela para o exterior. Para concluir a graduação em medicina, ela deve passar pelo menos 6 anos na Rússia. No país a carga horária para o curso de medicina é de 11.400 horas, diferente das instituições brasileiras que exige 7.200 horas. Mas a oportunidade de conhecimento e realização profissional é o que mais a motiva. "Vou sentir saudades da minha família. Mas eles me apoiam".

Qualidade no ensino superior

A qualidade de ensino na Rússia foi o fator que mais chamou a atenção da brasiliense Gisele Lavarini da Costa, de 18 anos. "Pesquisei bastante sobre a universidade e as possibilidades de trabalho no País", conta ela. A grade curricular do curso é maior que a brasileira e há matérias mais específicas.

Antes de iniciar a graduação, os alunos fazem uma Faculdade Preparatória (FP). Assim como Gisele, os demais alunos passam nove meses na FP. Na faculdade eles aprendem o idioma local e os termos técnicos aplicados à área escolhida. Em seguida, são encaminhados diretamente para o primeiro ano da graduação. A Aliança Russa oferece suporte aos brasileiros durante os seis anos da graduação e nos nove meses da faculdade preparatória. Os alunos têm a disposição um representante da entidade durante todo o período de estadia. Eles ficam em alojamento que comporta de duas a três pessoas por quarto.

O que muitos alunos têm questionado é a validação do diploma. Alguns deles ao fim do curso voltam ao país para exercer sua profissão. Segundo Carolina Tellez, diretora da Aliança Russa, os brasileiros a partir de 2010 devem realizar uma prova para revalidar seu título. O teste será feito em duas etapas: uma avaliação escrita e outra, prática, de habilidades clínicas. A nova regulamentação tem como objetivo de deixar mais rápido o método atual utilizado pelas universidades, que se baseia nas análises de currículos e documentos.

Para participar, o candidato passa por um processo seletivo avaliado pela universidade de sua escolha e administrado pela Aliança Russa. O processo inclui reunião com os pais, análise de histórico escolar e exames de saúde, de forma a garantir que o aluno se encaixa no perfil da faculdade. Segundo Carolina, o candidato precisa ter boas notas e contar com o apoio dos pais. "É importante que ele tenha uma ajuda para se manter".

SERVIÇO

A Aliança Russa oferece 30 vagas para o curso de medicina em inglês na Academia Médica Sechenov, em Moscou. Os interessados devem se inscrever até o dia 9 de dezembro.

Mais informações por meio dos sites www.medicinarussia.com.br ou www.aliancarussa.com.br, ou pelo telefone (11) 3854-2513.

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