Pesquisadores constroem escala para medir infraestrutura escolar PDF Imprimir E-mail
02-Ago-2013


Estudo voltado para análise da educação brasileira organiza e interpreta dados fornecidos pelo Inep

 

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O desempenho de cada aluno na escola é reflexo de múltiplas causas. Entre elas, a infraestrutura da instituição em que ele estuda. Com base nessa premissa, os pesquisadores Joaquim José Soares Neto, Girlene Ribeiro de Jesus e Camila Akemi Karino, da Universidade de Brasília, e Dalton Francisco de Andrade, da Universidade Federal de Santa Catarina, publicaram artigo que propõe uma escala para analisar dados sobre a situação de 194.932 unidades de ensino básico no Brasil, públicas e privadas. Os números foram retirados do Censo Escolar da Educação Básica, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2011.

De acordo com a leitura da escala desenvolvida pela equipe, a infraestrutura de 44,5% das escolas brasileiras se destaca pela fragilidade. “Por meio do nível de infraestrutura de uma instituição de ensino na escala é possível inferir os itens que são altamente prováveis e improváveis que ela possua. As instituições na categoria ‘elementar’, por exemplo, possuem somente os itens essenciais a seu funcionamento, como água, energia, cozinha, esgoto e sanitário”, explica Joaquim Neto, professor do Instituto de Física da UnB e ex-presidente do Inep.

As escolas foram classificadas em quatro categorias: elementar, básica, adequada e avançada, de acordo com a qualidade da infraestutura (veja no quadro abaixo). Um fato que chama a atenção é que somente 0,6% das unidades de ensino teve a infraestrutura considerada “avançada”, com recursos como laboratório de ciências e dependências que atendam estudantes com necessidades especiais. “A pesquisa leva em conta que os itens verificados em poucas escolas acrescentam mais à nota final do que aqueles constatados com maior frequência. Portanto, eles têm valores diferentes”, esclarece Girlene.

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Como exemplos de fatores que influenciam as notas obtidas pelas escolas, o professor Neto citou a formação docente dos educadores da instituição e o nível socioeconômico dos alunos. “Algumas dessas variáveis são passíveis de soluções mais fáceis, como é o caso do problema da infraestrutura, enquanto outras, como a questão do nível socioeconômico dos alunos, são complexas por natureza”, completa Joaquim.  

Dentre as escolas avaliadas, quase a metade é de pequeno porte, ou seja, abriga até dez turmas ou 200 alunos. “O predomínio de escolas de pequeno porte localizadas em zonas rurais e, em grande maioria, no Norte e no Nordeste do país, faz parte da realidade brasileira. Hoje, elas atendem aproximadamente 5,7 milhões de alunos”, conta o professor Joaquim Neto.

Metodologia - Para possibilitar a comparação entre a infraestrutura escolar das diversas regiões do país, a escala avalia as instituições de ensino por meio de 22 itens, que variam desde a qualidade da água disponível até a existência de salas de atendimento especial. Além de um grande número de escolas, a classificação abrange instituições de diversos portes. No Censo realizado pelo Inep, foram submetidas ao questionário unidades de ensino públicas e privadas, de médio, grande e pequeno porte, localizadas em áreas rurais e urbanas. 

Como forma de atribuir pesos específicos aos itens analisados, os pesquisadores recorreram à Teoria de Resposta do Item (TRI), ferramenta estatística utilizada em pesquisas que buscam mensurar, matematicamente, comportamentos que interessem ao pesquisador. “Assim, pudemos interpretar os resultados e dispô-los em uma escala de valorização”, afirma Girlene Jesus, professora do Departamento de Planejamento, Administração e Avaliação da Educação (PAD).

“O estudo aborda um dos fatores que influenciam no desempenho dos alunos, mas não o único”, esclarece a professora Girlene, que pretende, junto à equipe que desenvolveu a escala, se aprofundar no problema da educação. “Estabelecer a escala foi o primeiro passo para fazer uma associação lúcida entre a infraestrutura das escolas e o desempenho dos alunos”, diz Girlene.

Confira a íntegra do artigo. 

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