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| PAULO FREIRE: Educador ainda inspira Angicos |
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| 18-Set-2008 | |||||||
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No início dos anos 60, Paulo Freire desempenhou, em Angicos, Sertão do Rio Grande do Norte, uma das experiências mais marcantes de alfabetização de adultos. A partir daí, ficou conhecido no País como um educador voltado às questões do povo. Em 45 dias, 300 trabalhadores foram alfabetizados. Quase 50 anos depois, Freire continua inspirando professores por lá.
É o caso de Maria de Fátima Rocha, 49 anos, que juntou um grupo de donas de casa para ensiná-las a ler e escrever. O espaço é apertado, uma casa simples da periferia. “Trabalho relacionando aprendizado com a realidade. Quando ensinei a letra d perguntei as palavras que conheciam. Disseram marca de margarina e nome de remédio. Não é fácil acabar com o analfabetismo, mas também não é impossível.” Para aqueles que participaram da experiência na década de 60, extinta pela ditadura militar, a lembrança é de um período rico em aprendizado, mas sem continuidade. “Foi uma beleza, uma pena que acabou. Ou queimávamos as cartilhas ou escondíamos embaixo do colchão. Diziam que era coisa de comunista. Por isso, a maioria não continuou os estudos”, conta Luzia de Andrade, 72. “Aprendi a ler na cadeia. O camarada ter conhecimento é muito bom. Leio pouco, mas leio”, diz Geraldo Souza, 79. PERNAMBUCO - Foi Miguel Arraes, quando prefeito do Recife, em 1960, que estimulou a criação do Movimento de Cultura Popular (MCP), onde Freire iniciou os círculos de cultura que ajudaram a formar sua metodologia. Neto de Arraes, o atual governador Eduardo Campos lança, no próximo mês, um programa de alfabetização que levará o nome do educador e utilizará a metodologia dele. O Estado tem hoje cerca de 930 mil analfabetos (18% da população). A meta é alfabetizar 500 mil pessoas em dois anos. “Precisamos da ajuda da sociedade para acabar com o analfabetismo”, adianta o secretário estadual de Educação, Danilo Cabral. (M.A)
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