Ideb mostra a derrota da educação PDF Imprimir E-mail
20-Ago-2012

Artigo publicado em 20/08/2012 no jornal GAZETA DO SUL - RS

 

 

 Mario Eugenio Saturno

 

O Brasil está completando uma década sob a direção do Partido dos trabalhadores. E, depois desse tempo todo, o paraíso não chegou na Terra. Ainda temos o maior juro do mundo. Não temos um plano para redução dos pesadíssimos impostos que pagamos. A produção de álcool está caindo. Pífia evolução nas Olimpíadas. A educação não evoluiu quase nada.

Quando o "socialista" Lula assumiu, esperava-se que o País virasse uma potência nos esportes, como Cuba e China. E conseguimos apenas a 22ª posição no quadro de medalhas. Farto foi o aumento do investimento para ter duas medalhas a mais, uma prata e um bronze, sobre Pequim, em 2008. O resultado fica patente quando observamos o tamanho da delegação (ficaria em 51º lugar), PIB (70º) e população (68º). O País tem dinheiro, mas não gasta bem.

Porém, o que mais causa tristeza são os novos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Como pode? Mais da metade dos Estados não conseguiram evoluir sua nota. Inclusive as escolas particulares. E o site do Ministério da Educação comemora a evolução... Deveriam chorar!

O Ideb das redes estaduais se manteve em 3,4, já o Ideb da rede privada está em 5,7. Uma grande distância. Na rede privada, o maior Ideb no ensino médio é o de Minas Gerais e Paraná, com 6,1. A rede estadual de São Paulo conseguiu a marca de 3,9 em 2011, contra 3,6 de 2009, subindo para o segundo lugar do País; e Santa Catarina, com a maior nota: 4,0. E os Estados que mais evoluíram nas redes estaduais foram: Goiás, 3,6 (antes era 3,1) e Rio de Janeiro, 3,2 (antes 2,8).

O pior Estado teve somente 2,6: Alagoas (o mesmo Estado que lidera em violência). Mas não está só, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe apresentam Ideb menor que 3,0. E se considerarmos somente as redes estaduais, pioraram Rondônia (-0,4), Acre (-0,2), Pará (-0,2), Paraíba (-0,1), Alagoas (-0,2), Bahia (-0,1), Espírito Santo (-0,1), Paraná (-0,2), Rio Grande do Sul (-0,2) e o Distrito Federal (-0,1).

O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco conseguiu a maior nota no Ideb do 9º ano do fundamental, mas neste ano está sem aulas desde maio, porque os professores federais estão em greve. Já as Escolas Municipais Santa Rita de Cássia, em Foz do Iguaçu (PR), e Carmélia Dramis Malaguti, de Itaú de Minas (MG), obtiveram 8,6, a maior nota do País no ensino fundamental.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, prefere culpar a quantidade de disciplinas, 19, e de estudantes no ensino noturno, porque trabalham. Uai! O Bolsa Família não existe para que as crianças não precisem trabalhar?

Há quase dois anos, escrevi "Por que não privatizar a Educação?", mostrando o efeito nas escolas municipais de Catanduva da contratação de material didático usado em uma rede de escolas particulares. E não é que a tal escola explodiu nas últimas avaliações e a Emef Professor Santos Aguiar é a quarta do Estado de São Paulo, 21ª no Brasil? Se formos tornar este País uma potência de verdade, temos que investir com competência em educação. O caminho está dado.

Mario Eugenio Saturno

Tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - mariosaturno.blog.com

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