O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) mostrou preocupação, em discurso
nesta quarta-feira (15), com os resultados do Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica (Ideb) 2011, divulgados na terça-feira. A avaliação
leva em conta o desempenho dos estudantes e índices de aprovação. Em uma
escala que vai de zero a dez, a média das escolas é de 5 nos primeiros
anos do ensino fundamental; 4,1 nos anos finais do ensino fundamental e
3,7 no ensino médio.
- Nós estamos sendo reprovados, os senadores, os deputados, os
ministros, os governantes, os presidentes. Essa é a nossa reprovação,
essa é a nossa nota. Nós deveríamos carregar no peito a nota 3,7, porque
é esta a nota do ensino médio no Brasil - criticou.
Para o senador, a estagnação da educação no Brasil significa, na
verdade, uma regressão para o país, que está ficando para trás com
relação ao resto do mundo.
Cristovam também lembrou a situação das universidades federais, que
estão em greve há cerca de 90 dias. Para ele, a reposição nunca terá o
mesmo valor das aulas que não estão sendo ministradas.
- Ensino não é como tijolo, que você para a obra, no outro dia você
chega e põe o tijolo no lugar certo. Ensino, educação e trabalho são com
o estado mental, intelectual, emocional do aluno. Eles voltam às aulas
degradados, depredados, desmoralizados.
Cristovam também ressaltou o fato de as escolas públicas federais
apresentarem, na média, notas melhores que as das escolas particulares.
Para ele, os números mostram a necessidade de as escolas públicas serem
federalizadas. A proposta faz parte de um plano que vem sendo defendido
pelo senador e que prevê, ainda, salários de R$ 9 mil para professores.
Eles teriam, no entanto que cumprir horário integral e passar por
avaliação anual de desempenho.
- Eu nem digo que se aceite, porque é a ideia de um senador, mas que
se debata com rigor essa possibilidade. E da parte do governo federal
não há o menor interesse em debater esse assunto. Entreguei essa
proposta à presidenta Dilma faz mais de um ano - lamentou.