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| Alfabetização em três meses |
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| 13-Jul-2012 | ||||||
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GABRIELLE BITTELBRUN - DIÁRIO CATARINENSE Neurocientista francês defende ensino com base no funcionamento cerebral Três meses é o suficiente para uma criança descobrir o bê-á-bá. É o que defende o matemático e neurocientista francês Stanislas Dehaene. Com base na análise do funcionamento cerebral, ele aponta como mais eficaz o método de ensino que envolve a decodificação de letra por letra. Segundo ele, um trimestre seria o suficiente para uma criança de seis anos aprender o português. As pesquisas do professor serão apresentadas hoje em Florianópolis. A proposta contesta correntes pedagógicas como o Construtivismo e até políticas do Ministério da Educação (MEC). Para Dehaene, a alfabetização deve ser feita letra por letra, considerando-se cada som (fonemas). A ordem do ensino iria do mais simples ao mais complexo, para a criança ir assimilando a língua aos poucos. No português, seriam sons como "a" e o "s", os mais frequentes na língua. A partir do momento em que ela domina essa decodificação, ela libera o cérebro, conseguindo se dedicar ao sentido das palavras. Segundo o professor, não há desculpas para as crianças brasileiras demorarem mais para aprender a ler ou escrever, já que, no país, há uma correspondência grande entre o som de cada letra e a sua grafia, o que facilita o processo. - Há grandes chances das crianças aprenderem a ler em três meses no Brasil, como na Itália, que tem uma língua parecida. O que acontece é que existem ideologias de educação que não correspondem com o modo como os sistemas cerebrais funcionam - considera Dehaene. O aprendizado em três meses se contrapõe à política do MEC, que estipula que as crianças devem ser alfabetizadas entre os seis e oito anos. Dehaene também é contra a corrente construtivista que, segundo ele, parte da ideia de que as crianças podem aprender a ler apenas observando as palavras formadas. - Esperar que a criança deduza a correlação entre fonemas e grafemas (o som e a grafia das palavras) pela simples exposição é esperar que ela possa descobrir o sistema alfabético que a humanidade levou milhares de anos para desenvolver. O pós-doutor na área descobriu que as maiores diferença nos processos de aprendizagem não estão no cérebro dos alunos, mas sim nos métodos e nos professores. - É necessário dar as informações corretas e da melhor maneira para cada um. É o professor que vai direcionar a atenção da criança - reforça.
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