Ler um livro traz ao leitor tempos ainda não descobertos. Outros ritmos de vida com diferentes situações e vivências. Tais criações podem ser experimentas também durante as férias – estejam elas situadas entre uma noite e outra de trabalho, em uma semana afastado da escola, ou mesmo durante o mês de recesso. Uma boa leitura é capaz de requalificar os significados experimentados durante a solidão ociosa. Em busca de dicas privilegiadas de leitura, o Portal Aprendiz recorreu a diferentes escritores, educadores e jornalistas. Confira o resultado abaixo.
“Para mim, o livro ideal para as férias tem de ter sustança. Gosto de histórias longas e envolventes. De preferência, com uma temática diferente do que eu costumo ler durante o resto do ano. Escolhi este título por ser uma narrativa super divertida sobre um menino como outro qualquer, numa escola como outra qualquer, com a diferença que esse menino pode estar se transformando num zumbi. E o pior (ou melhor) é que não tem muito o que ele possa fazer a respeito.”
“Eu recomendo “Azul Corvo”, de Adriana Lisboa, um romance que discute temas pouco presentes nas páginas da literatura brasileira, como a vida dos brasileiros no exterior (no caso, Estados Unidos) e a história política recente, como é o caso da Guerrilha do Araguaia. Um livro que tem a marca da autora: bem escrito, bem urdido, bem finalizado.”
“Biografia clássica escrita há mais de 30 anos pela norte-americana Hayden Herrera, traduzida recentemente para o português. Além de ter muitos detalhes da vida pessoal de Frida Kahlo, que eu amo de paixão, ela faz interpretações das pinturas, mostra um lado duro e agressivo da pintora mexicana, além de ter entrevistado muitos contatos de Frida como amigos, amantes, médicos e colecionadores. Acho que dá pra ler inteiro em um mês – uma boa oportunidade para as férias.”
“Este é um romance que escrevi por 13 anos. Escrevendo e reescrevendo como quem encontrava o seu “tempo perdido”. Enquanto eu fazia tese de doutorado, dava aulas, publicava ensaios, artigos e até outros romances, eu o vivia como a parte da vida que não entra nesse ritmo todo e, por isso mesmo, parecia guardar uma dimensão perdida. O tempo perdido do livro era a infância, mas também o presente, o tempo que se perde a cada dia, a cada segundo da experiência. Esse tempo que um dia é percebido como passado. Além de tudo é uma história muito minha. Embora o narrador, um fotógrafo que viaja em busca de um retrato enquanto conta memórias de infância, não seja idêntico a mim. Penso que ele conta a sua história que é, ao mesmo tempo, a história de cada um de nós.
Lê-lo nas férias? Sim. Mesmo que as férias sejam uma noite de insônia, um fim de semana de solidão. Porque o livro tem poucas páginas e, por isso mesmo, parece a quintessência de alguma coisa. Talvez um rosto buscado por todos nós.”

















