| Ciência sem fronteiras (Artigo) |
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| 10-Jul-2012 | ||||||
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Artigo publicado em 10/07/2012 no jornal ESTADO DE MINAS
Destacado como uma das principais iniciativas do programa governamental do governo federal para a área educacional, e com o sentido de uma possível universalização do acesso à troca de experiências internacionais e consequentes parcerias institucionais, o Programa Ciência sem Fronteiras tem o mérito de avançar na questão da internacionalização do ensino em um país que deseja se firmar no cenário internacional. Com previsão para a utilização de até 127 mil bolsas de estudos em vários países e sendo fruto da proposta conjunta entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC), com a participação de sua instituição de fomento - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) -, o programa (ou seja, conjunto de ações que visam uma permanência de ações com vários projetos incorporados) tem como proposta pôr a inovação, ciência e tecnologia do país em termos de aumento de mobilidade e excelência. Isso deverá ser feito tanto por meio de estágios em instituições internacionais consistentes, como também pela atratividade e vinda de pesquisadores de várias partes do mundo. E com suas seis modalidades de bolsas externas (graduação, tecnólogo, treinamento no exterior, doutorado sanduíche, doutorado pleno, pós-doutorado) e três internas (atração de cientistas para o Brasil, pesquisador visitante especial e bolsa jovens talentos), essa meta se mostra ambiciosa e deve, ao mesmo tempo que louvada, ser analisada dentro de um contexto social, político e de ação de Estado. Assim, as 18 áreas determinadas como prioritárias, inicialmente, se mostram aquelas vinculadas estritamente ao complexo das ciências exatas e biológicas, assim como as de tecnologia. Por certo são áreas que se demonstraram carentes de investimentos nos últimos anos no país e que necessitam de um programa conjunto de ações para sua estruturação. O perfil acadêmico brasileiro tem grande histórico e relação de formação, inclusive de nível internacional, para as áreas de ciências humanas, ciências sociais aplicadas. Mesmo que vistos sob o ângulo restrito de que ciência e tecnologia hoje representam um dos alicerces das grandes economias mundiais (Estados Unidos e Inglaterra) e no estabelecimento de performances de alto nível industrial e de valor agregado (Holanda e Japão), o Brasil pode e deve prever as ações do programa referido dentro de uma lógica de ação integrada. A causa para tal afirmativa poderia estar menos calcada na importância do aumento e consolidação de nossos parques industriais do que na possibilidade de que tal programa acirre o distanciamento entre as áreas de conhecimento, o que, inclusive, já ocorreu em alguns países (Rússia e África do Sul). A consequência foi que o campo científico se demonstrou fragmentado e os investimentos futuros nas políticas públicas privilegiaram setores que foram considerados estratégicos em comparação a outros, com aumento gradativo da incompatibilidade de interesses conjuntos para a gestão do Estado. Desta maneira, ainda que seja uma perspectiva de aumento da competitividade brasileira em um cenário de grande complexidade mundial, o Programa Ciência sem Fronteiras também deverá estar atento, posteriormente, a incorporar o máximo de áreas possíveis a serem utilizadas em um planejamento conjunto sobre ciência e tecnologia. A partir dessa medida, a possibilidade de que a inovação (tecnológica, social, ambiental e, principalmente, institucional) realmente ocorra passa a ser, então, mais do que uma oportunidade, uma realidade possível de ser estabelecida. A proposta está feita, a promessa de integração, a ser cumprida.
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