O futuro está de greve (Artigo) PDF Imprimir E-mail
09-Jul-2012

Artigo publicado em 9/07/2012 no JORNAL DE BRASILIA

 

Adelmir Santana - Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Federação, Instituto, Sesc e Senac)

O desenvolvimento do Brasil está paralisado há quase dois meses e, por mais surpreendente que possa soar esta afirmação, poucos parecem se importar com isso. Refiro-me à greve dos professores das universidades federais.

O movimento grevista começou em 17 de maio com os docentes, ganhou a adesão dos estudantes e servidores e hoje atinge 95% das instituições públicas de ensino superior. Até agora, milhares de alunos não sabem como terminarão o semestre. Em plena temporada de julho, fica o questionamento: o nosso futuro não depende da educação?

É evidente que sim. Só uma educação de qualidade será capaz de dar dignidade ao povo e romper a desigualdade brasileira, com oportunidades iguais para todos.

Mas como nós atenderemos a essa premissa ou como formaremos cidadãos capacitados para fazer o Brasil crescer sem uma política clara de investimentos em edu-cação? Os professores, em todos os níveis, deveriam estar entre os profissionais mais bem remunerados do país. Infelizmente, não estão.

Esta greve tem como reivindicações principais a reestruturação do plano de carreira, reajuste salarial com incorporação de gratificações e melhores condições de trabalho, além da valorização da qualidade do ensino superior.

São questões sensíveis, que precisam de solução. O Ministério da Educação e o Ministério do Planejamento não podem ficar neste jogo de empurra-empurra de responsabilidades .

Se o impacto do reajuste solicitado não pode ser absorvido pelo Estado, isso não é razão para evitar as negociações. Pelo contrário, o importante é colocar um ponto final na paralisação.

É necessário lembrar ainda que a greve atinge, inclusive, os laboratórios de pesquisa e o atendimento nos hospitais universitários. Além disso, milhares de estudantes, em todo o país, terão as suas formaturas atrasadas, o que implicará em dificuldade de ingresso no mercado de trabalho.

Muitos perderão concursos e oportunidades de emprego por não possuírem o diploma de nível superior. Quem foi aprovado recentemente pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) também tem enfrentado problemas para se matricular nas universidades.

Mais uma vez, a impressão é a de que o prejuízo maior fica com a sociedade. Greves intermináveis e que se repetem ano após ano refletem falta de planejamento por parte do Estado, a inexistência de uma política pública real de valorização do ensino e a intransigência entre as partes envolvidas no processo de negociação.

Por mais que as autoridades repitam e não se cansem de dizer que o futuro do país depende da educação, falar, apenas, não vai garantir o nosso desenvolvimento. Digamos que é preciso estudar melhor essa solução.

Comentários
Busca
Somente usuários registrados podem comentar!

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 
< Anterior   Próximo >

Analfabetismo

 

Analfabetismo: a exclusão pelas letras

Série especial produzida pela Agência Brasil mostra os principais gargalos desse problema e possíveis soluções para que o país supere o analfabetismo

Analfabetismo: a exclusão pelas letras

Veja ma

Formar Núcleos

Número 5

Clique na imagem para baixar o arquivo PDF do número 5 do jornal Educacionista

Eustáquio e Raulene


Eustáquio e Raulene, educacionistas que se dedicam a construir uma nova alternativa em Mato Grosso do Sul, tendo a educação como o caminho. Leia mais

Apoio