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| Violência assusta escolas |
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| 28-Jun-2012 | ||||||
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Agressões e ameaças entre alunos preocupam pais, professores e estudantes Vinícius Borba - JORNAL DE BRASILIA A violência nas escolas tem mais um triste episódio no Paranoá. Um estudante entrou na escola no turno contrário e agrediu um colega, motivado, supostamente, por ciúme de uma garota. Os dois têm apenas 12 anos, e no fim da briga, o agressor chegou a ameaçar a vítima de morte. A Polícia Militar foi acionada no momento da saída das aulas, e o episódio não teve desdobramentos. O fato representa uma realidade que envolve as escolas públicas e particulares. Os dois estudantes se envolveram na briga na Escola Classe 4 do Paranoá, por volta das 12h de ontem. O Batalhão Escolar da Polícia Militar foi chamado pela diretoria da escola, como protocolo orientado pela Diretoria Regional de Ensino. Segundo o diretor do colégio, Cleomar Nunes, a briga entre os dois estudantes, que cursam as 4ª e 5ª séries, foi pontual, mas tem raiz em um quadro mais ampliado de violência em toda a sociedade. "Esse ano essa foi a segunda briga mais séria registrada aqui. Para a confusão não continuar lá fora, chamamos a polícia, uma vez que no calor da briga, um deles disse que pegaria o outro lá fora. É complicado, mas convivemos com uma cultura de violência que não começa aqui. É reflexo de toda uma cultura que vem alimentando isso", afirmou o diretor da escola. INSEGURANÇA Para os estudantes que convivem com essa realidade no Paranoá, o clima de medo é uma constante. De acordo com a estudante L., de 15 anos, episódios como este fazem parte da realidade dos alunos. "A gente vê acontecer estas brigas sempre aqui. E ainda é pior. Tem uns que montam gangues para fazer a 'volta' na sequência", diz a garota. Para o aluno de outra escola da cidade, F., de 11 anos, o medo é uma constante. "Dá medo demais. Ontem mesmo teve briga de duas meninas na entrada e na saída aqui da escola. Outro dia, teve um menino que veio armado, com medo do que os alunos de outra sala poderiam fazer com ele. Sem falar dos grandes que tentam bater na gente, que é menor, e ameaçam sempre. Se tivesse mais policiamento aqui, seria melhor. Quando tem polícia, as confusões diminuem", disse o estudante. Hoje, apenas 40 escolas contam com policiais do Batalhão Escolar efetivamente nas entradas e saídas da escola. Muitos pais se preocupam com a situação, mas as dificuldades vão além de um simples desentendimento como apontam especialistas. SAIBA + Segundo informações da Secretaria de Educação, a maior parte das ocorrências de violência entre estudantes está no Ensino Fundamental, fase em que alunos passam pela puberdade. Outra situação preocupante é a de estudantes com distorção de idade-série, situações em que os alunos possuem um histórico de frustrações na escola e têm dificuldade de se adaptar as colégios com metodologias antiquadas. Histórico de problemas A preocupação apontada pelos alunos é uma realidade difícil de contornar, segundo o coordenador da Gerência de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Educação, Mauro Gleisson de Castro. Distorções de idade-série, cultura de violência, lares desestruturados, modelo de ensino desinteressante e falta de autoridade dos educadores estão entre os problemas que precisam de solução. "Muita gente acha que mais polícia ou monitores resolvem, mas experiências de tolerância zero nos Estados Unidos demonstram que isso é temporário e depois volta a violência", diz. Para Mauro, quando não existe autoridade dos professores isso é um problema, mas pior é o sistema de ensino desinteressante, que leva os estudantes a se sentirem desamparados, buscando a violência. "Professores do século XX ensinam em escolas com modelos do século XIX a alunos do século XXI. A escola precisa rever e rediscutir sua forma", defende. Na próxima quarta-feira, a Secretaria de Educação lança para 115 escolas o primeiro Plano de Convivência Escolar. E para o presidente da Associação de Pais de Alunos de Instituições de Ensino no DF (Aspa), Luiz Claudio Megiorin, a falta de acompanhamento dos pais é um problema. "Os meninos e meninas sentem a falta da presença ", diz.
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