Mais e melhores médicos (EDITORIAL) PDF Imprimir E-mail
11-Jun-2012

Editorial do jornal FOLHA DE S. PAULO em 9/6/2012

 

 

O governo federal anunciou que vai aumentar em 15% a oferta de vagas por cursos de medicina.

Pela proposta do Ministério da Educação, do segundo semestre deste ano até 2014 serão abertos mais 2.500 postos. Preveem-se 2.000 em universidades federais e 500 em instituições particulares.

A administração Dilma Rousseff alega que a medida é necessária para atender a áreas em que há carência de profissionais. Os médicos, por meio de seu Conselho Federal (CFM), protestam. A categoria afirma que o país já conta com excesso de profissionais.

Os dois lados têm alguns argumentos e muitos interesses. É verdade que o Brasil está com um problema sério de distribuição de médicos. Eles estão concentrados nas cidades grandes do Sudeste e do Sul. Há falta crônica em algumas regiões do Nordeste e do Norte.

A questão é que não basta formar mais gente para garantir que essas áreas sejam contempladas. Os jovens profissionais não se fixam onde são necessários porque, apesar dos bons salários oferecidos por várias prefeituras, as condições de trabalho são precárias.

Sem medidas adicionais para resolver isso, o mais provável é que os recém-formados se apinhem nas metrópoles. O governo federal, porém, prefere a saída populista de apenas abrir mais vagas.

No cômputo geral, ao contrário do que apregoa o CFM, o país precisa de mais médicos. Atualmente, o Brasil conta com 1,8 profissional para cada grupo de mil habitantes.

Nações desenvolvidas têm bem mais do que isso. Nos EUA, eles são 2,4 por mil; no Reino Unido, 2,7; na Suécia, 3,3. Com o envelhecimento da população, por aqui a demanda ainda vai crescer.

Os médicos, porém, não querem a abertura de vagas por dois motivos. O primeiro, justificável, é a preocupação com a qualidade dos cursos. O segundo é o receio com o aumento da concorrência.

Há várias formas de lidar com a questão da qualidade. Ampliar e aperfeiçoar os programas de residência, onde o jovem profissional de fato aprende, é a mais óbvia. Criar um exame de habilitação, nos moldes do que existe para bacharéis em direito se tornarem advogados, é outra a considerar.

Já o problema da concorrência tende a ser mitigado se o governo conseguir fazer com que Estados e prefeituras criem as condições adequadas para que o médico se fixe onde ele é mais necessário.

A carência de profissionais se mostra especialmente grave nos rincões do país, mas também ocorre nas escalas de hospitais públicos das maiores e mais ricas cidades.

 

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