SC: A maior lição da professora PDF Imprimir E-mail
20-Abr-2012

Mulher de 50 anos se coloca na frente de uma patrola para impedir a destruição de um sítio arqueológico em Florianópolis

DIÁRIO CATARINENSE - SC


Regina Brasil, uma professora de literatura de Florianópolis, teve, ontem, seu dia de heroína. Esta foi a definição dada pelos próprios vizinhos depois que a mulher de 50 anos impediu a destruição de um sítio arqueológico na Rua Fúlvio Aducci, no Bairro Estreito. Um bem que poucas pessoas conheciam, nem mesmo o ex-secretário do Continente e vereador Deglaber Goulart, que assumiu ter autorizado verbalmente a loja de motos Harley Davidson a fazer a "limpeza" da área.

A ação da professora começou na quarta-feira, quando viu a retirada da tela que cercava o terreno, que pertence à prefeitura. Ela chegou a questionar a gerência da loja e passou o dia todo em frente ao estabelecimento para evitar que algo fosse feito no terreno. Mas ontem, às 8h, ao sair de casa, que fica atrás do terreno, viu a patrola. No lote fica o sítio protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que encaminhou técnicos ao local assim que recebeu a denúncia.

- Começaram de madrugada, mas segurei para que não houvesse mais prejuízos. Há conchas, ostras e até restos orgânicos de humanos ou animais deveria servir para conhecermos nossa história - explica Regina.

O vereador Deglaber Goulart assumiu que autorizou a limpeza. O pedido teria ocorrido na segunda-feira, quando o político já tinha deixado o cargo de secretário para poder concorrer às eleições municipais.

- Fui procurado pelo dono da loja para fazer a limpeza porque o local estaria sendo usado por usuários de droga. Uma pessoa não pode impedir que se faça a limpeza do terreno. Ela não manda na prefeitura. Se for terreno do município, vamos limpar - afirma Deglaber.

Ele também afirma que o Iphan não tem competência sobre o local. Segundo o chefe de fiscalização da Secretaria do Continente, Marcelo Povoas, não se pode passar a patrola em uma área pública da prefeitura sem a autorização por escrito Ipuf.

Os responsáveis pela loja chegaram a ligar para o celular do subcomandante-geral da Polícia Militar, Valdemir Cabral, pedindo para retirar Regina do local. Mas, ao chegar, a PM paralisou a patrola, por não haver autorização. A loja confirmou que recebeu a permissão verbal do ex-secretário, mas não tinha conhecimento de que se tratava de sítio arqueológico. No terreno não há placa informando que se trata de um sítio arqueológico, que foi identificado em 2003, e onde há vestígios de 3 mil anos e povos dos séculos 18 e 19.

*Colaborou Diogo Vargas

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ROBERTA KREMER*

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