Portal Aprendiz
por Flávio Aquistapace, do Portal Aprendiz
Painel debateu os desafios da alfabetização.
Diversas
avaliações nacionais do sistema educacional em larga escala produzem
indicadores que revelam deficiências e acertos nas escolas públicas e
privadas. Um desses instrumentos é a Provinha Brasil. Aplicada desde
2008, no começo e no fim do segundo ano do ensino fundamental das
escolas públicas, o teste é um instrumento utilizado para avaliar o
nível de alfabetização das crianças.
De posse dos resultados,
professores e gestores da educação podem ajustar a prática em sala de
aula ou mesmo redefinir estratégias de articulação com as políticas
públicas para obtenção dos resultados propostos – no caso, a
alfabetização até os oito anos de idade.
O papel da gestão na
escola diante das avaliações foi o tema da mesa “Ler, escrever e contar:
e se a escola não dá conta de garantir este aprendizado?”, realizada no
7º Congresso GIFE, evento em São Paulo que reuniu lideranças para
debater novas perspectivas de ação para investidores sociais do setor
privado.
Inês Miskalo, coordenadora da área de educação formal do
Instituto Ayrton Senna e uma das debatedoras acredita que “não tivemos
até hoje uma política de alfabetização de fato”. De acordo com ela, para
que a gestão educacional no sistema público de ensino dê bons
resultados é preciso pensar a rede de forma sistêmica, considerando o
contexto social de cada unidade escolar.
“Os problemas que uma
escola enfrenta não são isolados. A política pública deve articular as
iniciativas pontuais com ações que beneficiem a todos”, alerta. Ela
afirma ainda que tão importante quanto os diagnósticos são as
necessidades mostradas pelos dados levantados.
“De diagnósticos o
país está bem suprido, só que muitas vezes o professor não sabe com
quais resultados está alinhado”, pondera Miskalo. “Não dá para fazer
planejamento igual para todo mundo. É fundamental integrar os processos
no dia a dia para que a gestão passe a ser compartilhada”.
MEC
Recentemente,
o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que o programa
“Alfabetização na Idade Certa” é uma das prioridades do seu governo. Ele
também anunciou possíveis alterações na Provinha Brasil, embora
educadores defendam mudanças acompanhadas de outras medidas.
O
colóquio contou também com a participação de Ana Lúcia Lima, do
Instituto Paulo Montenegro, que falou sobre a Prova ABC. Realizada em
parceria com a Fundação Cesgranrio, representada no evento por Vilma
Fontanine, a avaliação verifica o nível de leitura, escrita e
aprendizado de matemática de alunos que concluíram com êxito o 3º ano do
Ensino Fundamental (antiga 2ª série).
Araly Palacios, do Instituto Razão Social completou a mesa para contar a sua experiência de campo nos estados em que atua.
* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
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