MEC quer unificar currículo das escolas no país PDF Imprimir E-mail
27-Fev-2012

Artigo publicado em 25/02/2012 no jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO

 

Wilson Barretto - Professor e diretor da Faculdade Esuda

Agora não existem mais dúvidas, o governo quer nacionalizar a educação, doa a quem doer. Para isso é necessário que o Estado contemple as suas comunidades com o mínimo de condições capazes de estabelecerem o nivelamento intelectual entre os ricos e os carentes. Adotar um currículo igual para todas as escolas brasileiras acarretará um retrocesso para as comunidades que habitam em regiões mais ricas ou uma violência para os lugares menos abastados onde as pessoas são menos preparadas para absorver um currículo compatível com o conhecimento mais rico das cidades mais desenvolvidas.

A base para essa atitude é "reduzir a desigualdade na aprendizagem de alunos de escolas de regiões pobres e ricas do Brasil". E daí? Decretos não mudam a forma de ser das pessoas de uma hora para outra! O Japão levou vinte anos para estabelecer as novas regras no ensino/aprendizagem, por isso o país é vitorioso nesse particular.

A adequação de mudanças em uma sociedade tem que acontecer paulatinamente. A rapidez nas transformações exige uma potência infinita, o que não é possível para os seres humanos. A burocracia acontece com sucesso para as "coisas" e não para as pessoas com corpo e mente. Particularmente a educação não se faz com leis esdrúxulas. É muito fácil, atrás de um bureau, estabelecer regras. Na prática, a teoria é outra!

O MEC precisa deixar que as novas ideias amadureçam antes de adotá-las através de portarias e leis pouco convincentes. Na verdade, por trás dessas mudanças, devem existir outros interesses pouco transparentes. Não se deve brincar, criando "inovações", em um segmento tão sério como a educação.

Bastam Enem e Enade, criados com interesse de abrir espaço para os sítios mais ricos do Brasil, em detrimento dos mais pobres. Como sempre, os políticos nordestinos pouco se importam com os verdadeiros interesses dos sulistas nesses projetos que só vêm para prejuízo de seus compatriotas.

Temos insistido em chamar a atenção para os novos eventos ocorridos na educação brasileira que só têm beneficiado o estudo e o emprego de forasteiros como os concursos públicos, vestibulares nacionais das universidades federais etc. É preciso que cada região de nosso país se faça presente de forma harmônica e respeitosa em relação às demais regiões.

Acordem, nordestinos! Estão descolorindo o Brasil! As riquezas regionais, nas diversas áreas, estão descendo pelo esgoto, devemos evitar esse futuro sombrio!

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