USP expulsa seis alunos por ocupação PDF Imprimir E-mail
19-Dez-2011

Eles viviam desde o ano passado em prédio invadido do Coseas; reitor usa como base lei da época do regime militar

Paulo Saldaña - O ESTADO DE S. PAULO

Seis estudantes foram expulsos da Universidade de São Paulo (USP) como punição pela ocupação de um prédio da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) iniciada em março de 2010. A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial dos Estado, em despacho do reitor João Grandino Rodas.

O processo foi aberto para apontar responsáveis pelos prejuízos referentes à ocupação. Segundo a Reitoria, a ação dos alunos resultou no extravio de milhares de documentos e de aparelhos eletrônicos, como 17 computadores completos e duas impressoras, entre outros equipamentos. A principal reivindicação do movimento, intitulado Moradia Retomada, é o aumento de vagas no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp). A sala do Bloco G do Coseas continua ocupada pelos alunos, que a transformaram em moradia.

Foram expulsos Aline Dias Camoles e Bruno Belém, da Escola de Comunicação e Artes (ECA), e Amanda Freire de Souza, Jéssica de Abreu Trinca, Marcus Padraic Dunne e Yves de Carvalho Souzedo, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Ao todo, eram 13 processados. Cinco foram inocentados e dois dos punidos já não estudam mais na universidade.

A punição foi decidida por uma comissão formada por três professores e o reitor acatou o relatório - que tem como fundamento o regimento disciplinar de 1972, época da ditadura militar. A decisão ainda teve respaldo, segundo a Reitoria, da maioria dos dirigentes das unidades.

Rodas entende que a relação com os alunos não fica prejudicada. "Administradores públicos devem cumprir uma série de obrigações legais, sob pena de responsabilidade. Assim, a questão de "ambiente" acaba por ser irrelevante."

O diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Thiago Aguiar, considerou a punição absurda. "Não é de hoje que a USP tem punições a todos que fazem ou fizeram algum tipo de mobilização crítica. Mas agora é mais grave, foram expulsões."

Aguiar critica a falta de critérios, uma vez que cerca de 50 alunos participaram da ocupação. "O expediente das punições é obscuro. A Reitoria seleciona quem quer punir e faz isso."

O presidente do Sindicatos dos Servidores da USP (Sintusp), Magno Carvalho, também condenou a decisão. "O reitor esperou o fim das aulas para divulgar isso. Fez em um momento em que se vai ter dificuldade de reação, a maioria das aulas acabou." O reitor negou que tenha aguardado o fim das aulas. "Não há dia apropriado para se tomar conhecimento de decisões desagradáveis", disse. Alunos podem recorrer à Procuradoria da USP. Os expulsos não foram encontrados para comentar a decisão.

Professor da FFLCH reprovou 2 turmas de grevistas

Dias antes da expulsão de seis alunos da USP, outra medida polêmica mobilizou os estudantes da universidade: a reprovação em bloco de duas turmas da disciplina História da Filosofia Contemporânea 2, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A razão alegada pelo professor Carlos Alberto Ribeiro de Moura é de que os cerca de 60 alunos dos períodos diurno e noturno foram reprovados porque não atingiram 70% da frequência exigida - por causa de uma greve de estudantes em novembro, que durou cerca de um mês. "Aula impedida é aula dada", alegou Moura. Os alunos pretendem entrar com requerimento coletivo para revisão.

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