Em pronunciamento nesta quarta-feira (21), o senador Cristovam
Buarque afirmou que o educador Paulo Freire (1921-1997) ficaria
frustrado com a educação no Brasil se ainda fosse vivo. Freire faria 90
anos na última segunda-feira (19). Para o senador, a presidente da
República, Dilma Rousseff, deveria ouvir a voz do pedagogo.
- Não é difícil. Para ouvir a voz de Paulo Freire basta ouvir a voz
dos 14 milhões de brasileiros analfabetos que caminham sobre o nosso
território - afirmou o senador, que disse considerar escravos no mundo
moderno aqueles que não são capazes de ler.
O senador afirmou que Dilma Rousseff deveria também ouvir as vozes
dos jovens de hoje que, daqui a 20 anos, perguntarão o motivo de não
terem tido acesso à educação. A falta de oportunidade de educação,
segundo o senador, dificulta até mesmo o combate à corrupção.
Cristovam salientou que os corruptos costumam ter "anel de doutor no
dedo", mas se elegem com o voto de quem não tem educação adequada, que
acaba vendendo o voto em troca de algum benefício.
- Inteligentemente, quem tem um filho doente e não tem dinheiro para
comprar remédio, troca o seu voto por um remédio. Inteligentemente.
Porque o futuro, a sobrevivência, a saúde do seu filho é mais importante
para ele, naquele instante, do que o que vai fazer um político anos
depois, quando chegar ao Congresso - observou, lamentando que o país
continue a perpetuar a pobreza e o analfabetismo.
O senador voltou a falar sobre a proposta que enviou à presidente da
República para fazer "uma revolução na educação". Segundo o senador,
elevando o custo anual por aluno de R$ 1,4 mil para R$ 9 mil, seria
possível pagar um salário de R$ 9 mil aos professores e assim mudar o
país para que, o centenário de Paulo Freire, daqui a dez anos, não seja
comemorado com tristeza.
- Não deixemos que o Brasil do futuro tenha a cara triste das escolas do Brasil de hoje - pregou.
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Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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