Drogas no DF: Prevenção na escola PDF Imprimir E-mail
22-Ago-2011

Programa da Polícia Militar orienta sobre os perigos do envolvimento com drogas

João Pedro Netto - JORNAL DE BRASILIA

Mais de 50 mil crianças e adolescentes são orientados anualmente por policiais militares sobre os perigos do envolvimento com drogas. Várias equipes da corporação percorrem escolas públicas e particulares para prestar informações, conversar e discutir temas relacionados aos entorpecentes e à violência. Esse é o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), da Polícia Militar, que já funciona há 13 anos no DF.

Atualmente, 42 policiais militares voluntários atuam como instrutores e visitam as escolas e instituições de ensino

locais. Os oficiais são capacitados pedagogicamente para desenvolver o trabalho nas escolas, em parceria com pais, professores, alunos e comunidade. "Atendemos quase a totalidade das escolas do DF, tanto públicas quanto particulares", explica a capitão Renata, coordenadora do Proerd.

São, em geral, 12 aulas para cada turma, ao longo do semestre. Cada um dos policiais fica responsável por uma (ou mais de uma) escola. Os agentes dão aulas para turmas da Educação Infantil, 5º ano, 7º ano e Ensino Médio. Embora todas as faixas etárias sejam importantes, os policiais admitem que o foco é voltado para alunos com idade entre nove e 12 anos.

"Nessa faixa etária, as crianças sentem menos a influência dos pais, e a influência dos amigos aumenta. Por isso, damos atenção especial a essa idade", aponta a capitão Renata. Os instrutores da PM ministram palestras para pais e responsáveis, e também dão aulas para portadores de necessidades especiais. "Como são inimputáveis, portadores de necessidades especiais estão sujeitos a serem aliciados", completa a capitão. Ao final do curso, os jovens recebem um certificado e firmam um compromisso de atuarem como multiplicadores do programa.

Drogas e seus efeitos, violência, como se manter longe dos entorpecentes, como manter atividades positivas no cotidiano, como construir boas amizades, bullying. Esses são alguns dos temas abordados pelos policiais nas aulas do programa. "O bullying é um exemplo de que estamos sempre buscando temas atuais e revelantes", diz o soldado Luir Rodrigues, que também atua como pedagogo no Proerd.

Trabalho para o futuro

Os soldados Hugo Barbosa e Ronaldo Pires ministram o curso no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 1 da Estrutural. "O objetivo principal é evitar o uso de drogas. Trabalhar essa criança para o futuro", destaca Barbosa. "Plantar uma ideia em sua mente, para que, no futuro, tenha uma visão diferente e saiba como recusar, por exemplo", completa.

Para Barbosa, o trabalho do Proerd é importante em qualquer contexto, mas em uma cidade com baixo índice de desenvolvimento, como a Estrutural, é ainda mais significativo. "Aqui, eles vivem essa realidade de forma mais próxima."

Essa avaliação é reforçada pela supervisora pedagógica do CEF 1 da Estrutural, Maria Cirene de Sousa. "Em qualquer realidade esse trabalho é importante. Mas aqui, abraçamos o projeto ainda mais por conta da situação social complicada que muitos alunos vivem."

COISAS BOAS

Para ela, o projeto só traz coisas boas. "Os frutos virão no futuro. Teremos crianças com um futuro melhor", diz ela, que aponta ainda outro ponto positivo. "A partir do momento em que os policiais estão dentro da instituição, eles criam vínculos com os jovens, cria-se confiança. Quem ganha com isso são os alunos, as famílias e a comunidade como um todo."

Os agentes fazem uso de materiais didáticos, cartilhas, livretos, e cartazes. "Tudo de forma bem lúdica. Criamos histórias, damos nomes aos personagens para que a criança se envolva", afirma o soldado Rodrigues.

Anualmente, uma equipe de policiais militares viaja até os Estados Unidos, onde participa de um curso de capacitação. Ao retornar, esses agentes disseminam os co-nhecimentos adquiridos com o restante dos policiais que integram o Proerd.

SAIBA +

A Campanha Brasília sem Drogas foi lançada pelo Jornal de Brasília no final do ano passado e continuará por tempo indeterminado.

O JBr entende que não se pode apenas esperar que o Estado resolva essa situação e, por isso, decidiu arregaçar as mangas e provocar uma mobilização de toda a sociedade no combate a este mal que destrói a vida de crianças e jovens, além de suas famílias.

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